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Revista literária Boca do Gato estreia em Santo André em 11 de julho

Grupo de jovens reunidos em torno de mesa com livros e máquina de escrever em discussão literária.

Num tempo em que as redes sociais ditam o ritmo e o conteúdo costuma ser consumido em pedaços, uma revista literária impressa pode soar como coisa de outra era. Para o escritor e jornalista Eduardo Kaze, criador da Boca do Gato, a lógica é inversa: é justamente agora que se torna ainda mais importante abrir espaço para leitura atenta, reflexão e produção cultural independente.

Com lançamento agendado para 11 de julho, na Casa da Palavra Mário Quintana, em Santo André, a Boca do Gato surge com a ideia de aproximar autores de estilos, gerações e linguagens diferentes em uma publicação conectada à cena cultural do ABC Paulista.

A revista chega organizada em cinco editorias - Contos, Poesia, Crônicas, Teatro e Histórias em Quadrinhos - e aposta na pluralidade de vozes como marca central do projeto. Logo na estreia, a primeira edição reúne 19 artistas, entre escritores, poetas, dramaturgos e quadrinistas do ABC e de outras partes do Brasil.

Kaze conta que a revista nasceu de um incômodo simples: a falta de um formato que reunisse várias expressões literárias em um só lugar. “Em uma tarde tive vontade de ler uma revista literária. Não uma publicação acadêmica ou especializada em um único gênero, mas algo que reunisse diferentes expressões da literatura e que dialogasse com a nossa realidade. Procurei e não encontrei. Então resolvi fazer.”

A proposta vai além de colocar textos no papel: a Boca do Gato quer funcionar como ponto de encontro entre quem escreve e quem lê. Em um contexto no qual boa parte da literatura independente se espalha sem continuidade por diferentes canais, a revista tenta criar um eixo de convergência para artistas que produzem muito, mas nem sempre encontram meios permanentes de divulgação.

O modo de produção também se destaca. Com tiragem inicial de 150 exemplares, esta primeira edição foi feita quase de forma artesanal, passando por etapas que vão da impressão ao acabamento.

“Existe uma ideia de que projetos culturais só podem existir por meio de grandes investimentos ou editais. A Boca do Gato nasce para mostrar que a iniciativa individual e coletiva ainda tem força para construir coisas relevantes.”

Jornalismo, literatura e edição

O nascimento da revista dialoga diretamente com o caminho percorrido por seu idealizador. Jornalista há mais de duas décadas, Eduardo Kaze desenvolveu, em paralelo, uma trajetória literária com romances, coletâneas e iniciativas editoriais independentes.

Entre esses trabalhos está a HQ “Os Livros de Jizu”, apontada como a primeira história em quadrinhos brasileira feita com apoio de inteligência artificial na fase de ilustração. Ele também esteve à frente do Jornal de Ciências Sociais da Fundação Santo André, uma publicação acadêmica que circulou por cerca de quinze edições.

Para Kaze, porém, jornalismo e literatura nunca foram trilhas separadas. “Nunca houve um sem o outro. O jornalismo me trouxe concisão, critério e espírito crítico, elementos que também fazem parte da minha produção literária e editorial.”

Lançamento

O lançamento oficial da revista Boca do Gato acontece em 11 de julho, das 14h às 19h, na Casa da Palavra Mário Quintana.

Além da apresentação da publicação, a programação inclui conversas com autores participantes, leituras e momentos de troca entre artistas e público, transformando o encontro em uma comemoração da produção cultural independente.

A organização espera receber leitores, escritores, estudantes, artistas e pessoas interessadas em acompanhar de perto um projeto que já começa a movimentar a cena literária da cidade.

Uma revista que já olha para o futuro

Antes mesmo de chegar oficialmente ao público, a Boca do Gato já começou a receber materiais destinados à segunda edição.

Uma das situações mais inusitadas envolve um escritor ucraniano que encontrou a revista pelas redes sociais e enviou, espontaneamente, um texto em inglês para avaliação editorial. O episódio reforça como uma iniciativa criada em Santo André pode alcançar autores e leitores muito além dos limites da região.

Ao mesmo tempo, a equipe avalia caminhos para ampliar o acesso, incluindo conversas para que edições futuras cheguem gratuitamente à rede de bibliotecas do município. “Meu sonho era ver a revista existir. Agora queremos que ela circule, encontre leitores e ajude a fortalecer a produção cultural da nossa região”, finaliza Kaze.

Serviço

Lançamento da revista Boca do Gato

  • Data: 11 de julho
  • Horário: 14h às 19h
  • Local: Casa da Palavra Mário Quintana
    Praça do Carmo, 171 – Centro – Santo André

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