A Contraloria Geral da República da Colômbia confirmou que concedeu seu aval ao contrato assinado em novembro de 2025 entre o Ministério da Defesa Nacional e a empresa sueca Saab para a compra de 17 caças Gripen destinados à Força Aeroespacial Colombiana. Após examinar os estudos técnicos, económicos e jurídicos que embasaram a escolha da proposta, o órgão de controle certificou a transparência e a legalidade da operação, sem apontar irregularidades ou observações que pudessem colocar em risco a integridade do processo.
Aval da Contraloria e verificação da documentação
Segundo o comunicado oficial, a Contraloria Geral conferiu toda a documentação associada ao contrato, incluindo anexos técnicos, o plano de financiamento e os compromissos de cooperação industrial e social (offsets). A análise ocorreu nas instalações da Força Aeroespacial Colombiana (FAC), onde informações classificadas do programa Gripen ficam protegidas por cláusulas de confidencialidade que limitam a divulgação pública de detalhes técnicos e financeiros. Ainda assim, o órgão fiscalizador exerceu plenamente suas competências constitucionais e legais, com acesso a tudo o que era necessário para atestar a legalidade do procedimento.
Detalhes do contrato dos 17 caças Gripen
O relatório do órgão de controle concluiu que a proposta da Saab era a mais vantajosa para os interesses do país, tanto pelo custo global quanto pelo cronograma de entrega e pela amplitude do suporte logístico incluído. Avaliado em €3.135 bilhões (aproximadamente USD 3.42 bilhões), o contrato contempla a entrega de 17 aeronaves novas com armamento de última geração, treinamento técnico e operacional e um sistema completo de manutenção.
Também estabelece um modelo de pagamentos escalonado, com 40% entre 2026 e 2031 e os 60% restantes entre 2028 e 2032, respaldado por futuras dotações orçamentárias já aprovadas até um teto máximo equivalente ao valor total do contrato, estimado em torno de USD 3.4 bilhões.
Critérios técnicos, concorrentes e offsets
Na fase de avaliação, a FAC adotou um processo técnico rigoroso baseado em nove variáveis e 157 subvariáveis, abrangendo desempenho operacional, aviônicos, sensores, armamentos, custos de sustentação, infraestrutura e transferência de tecnologia. Entre as propostas analisadas, apenas a Saab e a francesa Dassault apresentaram informações suficientes para permitir uma comparação completa - e a Saab obteve a maior pontuação. Relatórios técnicos destacaram o menor custo por hora de voo do Gripen E/F, a capacidade de operar em pistas curtas e a facilidade de integração com a infraestrutura já existente, fatores determinantes para a decisão final.
O acordo inclui ainda um programa de offsets industriais e sociais: 85% será direcionado a projetos do Ministério do Comércio, Indústria e Turismo, enquanto os 15% restantes servirão para reforçar a indústria aeroespacial nacional e elevar as capacidades técnicas da Força Aeroespacial. Conforme a Contraloria Geral, esses offsets não alteram o valor total do contrato, mas constituem um componente essencial para o desenvolvimento tecnológico e estratégico do país.
A aprovação da Contraloria Geral ocorre após um longo ciclo de avaliação e negociação encerrado em novembro de 2025, quando o governo colombiano e a Saab formalizaram a aquisição dos novos caças Gripen E/F para substituir a frota IAI Kfir, de origem israelense. Apesar das controvérsias iniciais sobre o custo unitário e a falta de clareza quanto à configuração final das aeronaves, a compra é vista como um marco para a defesa aérea da Colômbia, ao incorporar um dos aviões de combate mais avançados da região e reforçar a postura militar estratégica do país.
Imagens usadas apenas para fins ilustrativos.
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