Verdes são os cravos
O Chega apareceu no 25 de Abril com cravos e, em pouco tempo, as redes sociais resgataram “Cravo Verde”, de Oscar Wilde, junto com o símbolo gay que a obra consagrou. O partido rejeitou a ligação e Rita Matias entrou com força naquela lógica do “o céu azul que está a ver não é azul”, afirmando que eram “cravos pretos” enviados por uma emigrante na França. A Gente repõe os fatos: são cravos bordados em preto, com acabamento em verde bem vivo - a cor que dá para notar a metros de distância.
FELIZMENTE ALUADOS
Na cerimônia do 25 de Abril, a Gente observou que foram poucos os deputados - e até membros do governo - que acompanharam tudo sem ficar olhando o celular o tempo inteiro, passando por cima de alguns discursos. Fala-se muito em vetar celulares nas escolas, mas a Gente sugere que os políticos encarem primeiro a própria falta de atenção antes de apontarem o dedo para os mais jovens.
‘BIBÓ VINHO’
António Costa esteve no aniversário do curso de Relações Internacionais da Universidade do Minho (UM) e, num lapso que ele próprio assumiu, chamou a instituição de “universidade do vinho”. Procurados pela Gente, ex-alunos da UM dizem que o apelido até combina com a vida boêmia dentro daquela universidade e propõem que o novo termo substitua o já gasto “escola da vida”, tão comum nas descrições de Facebook de estudantes.
IDENTIDADE
Entre imprensa e política, multiplicam-se os dilemas sobre como se deve tratar o Chega, tanto no geral quanto na forma de nomear dirigentes e militantes. “Socialistas”, “centristas” e “comunistas” são rótulos fáceis, porque apontam para uma corrente ideológica. Mas, no caso do Chega, como fica? Na semana passada, Rita Matias reclamou porque o “Diário de Notícias” os chamou de “cheguistas”, como se diz “montenegristas”, “costistas” ou outros “-istas”. No debate quinzenal, o primeiro-ministro decidiu agradar a todos e tentar resolver o impasse de identidade: chamou-os de “cheganos”. A Gente, que soube de um militante do partido que, há tempos, chegou a reclamar na Entidade Reguladora para a Comunicação Social por essa denominação, aguarda para ver se vem nova queixa - ou se o nome pega e o problema de identidade fica, afinal, resolvido.
PROBLEMA DE AUDIÇÃO
José Luís Carneiro tem mostrado dificuldade em construir discursos que deixem marca - aconteceu no 25 de Abril e voltou a se repetir no debate quinzenal. A fala sobre aumentar as pensões mais baixas empolgou tanto que até deputados do Partido Socialista precisaram perguntar aos colegas - que a Gente dirá serem, em geral, ex-líderes que voltaram - o que, exatamente, era para aplaudir. Carneiro toca vários instrumentos, toca piano e, quem sabe, deveria falar francês para ver se até os companheiros de bancada conseguem compreender a sua estratégia.
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