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Cu(ATSM) pode reforçar a limpeza de resíduos no Alzheimer

Pesquisadora em laboratório interage com projeção holográfica 3D de cérebro humano iluminado.

Eliminar resíduos nocivos é uma das funções mais essenciais do cérebro, e quando esses sistemas de limpeza enfraquecem, danos e doenças podem surgir rapidamente.

Restaurar esses mecanismos pode ser uma forma eficaz de tratar o Alzheimer, e pesquisadores da Monash University e da University of Melbourne, na Austrália, identificaram um candidato promissor para realizar esse reparo.

Eles utilizaram um composto que contém cobre chamado Cu(ATSM), que já chegou à fase de testes clínicos para outras doenças neurodegenerativas.

Em testes com modelos murinos de Alzheimer, o Cu(ATSM) demonstrou reduzir o acúmulo de aglomerados da proteína beta-amiloide, que frequentemente se acumulam no cérebro de pessoas com a doença.

A memória espacial de longo prazo dos camundongos, usada para se orientar no ambiente, também apresentou melhora significativa.

Além disso, vale investigar mais a fundo o modo específico de ação do Cu(ATSM), porque ele pode trazer vantagens no tratamento de outras condições neurodegenerativas.

O cérebro precisa de cobre para se manter saudável, e desequilíbrios desse elemento já foram associados ao Alzheimer.

"Cu(ATSM) é um composto de cobre com propriedades anti-inflamatórias e neuroprotetoras que já avançou para testes clínicos em condições como Parkinson e ELA", afirma o cientista farmacêutico Joseph Nicolazzo, da Monash University.

Uma das proteínas envolvidas na limpeza de resíduos no cérebro é a glicoproteína-P (P-gp), um transportador que ajuda a remover a beta-amiloide do cérebro por meio da barreira hematoencefálica. Sua quantidade e atividade podem diminuir na doença de Alzheimer.

Neste caso, a administração de Cu(ATSM) teve como alvo as bombas de eliminação de resíduos P-gp.

O objetivo dos pesquisadores era restaurar os níveis de P-gp ao normal com o uso do composto de cobre, permitindo assim que mais beta-amiloide fosse bombeada para fora do cérebro.

E funcionou.

A quantidade de P-gp aumentou no cérebro dos camundongos tratados, os níveis da forma mais tóxica de beta-amiloide caíram 42%, e o desempenho em memória espacial melhorou quase 44% ao longo dos 56 dias do estudo.

"Este é o primeiro estudo a mostrar que o Cu(ATSM) pode aumentar a abundância das bombas de depuração P-gp em um modelo de Alzheimer, em 24,1%", diz o cientista farmacêutico Jae Pyun, da Monash University.

"Ligando de forma eficaz a reparação da barreira hematoencefálica à redução de proteínas tóxicas e à melhora da função cognitiva."

Por mais promissores que esses resultados sejam, ainda há muitos passos pela frente antes de confirmar que essa abordagem pode funcionar como um tratamento eficaz para o Alzheimer - principalmente testá-la em humanos com a doença, e não apenas em modelos animais.

É importante notar que, apesar dos bons resultados em animais, uma análise comparativa piloto constatou que o Cu(ATSM) não trouxe benefício significativo para humanos com ELA.

Os pesquisadores também querem examinar mais de perto os mecanismos envolvidos na remoção da beta-amiloide da corrente sanguínea e seu afastamento do cérebro.

Compreender esses mecanismos será fundamental para desenvolver tratamentos seguros, e vale destacar que os níveis de cobre nos camundongos tratados aumentaram em todo o corpo - embora não tenham atingido valores considerados perigosos.

"Esses aumentos na biodisponibilidade de cobre não devem ter provocado qualquer toxicidade em nossos estudos, de acordo com nossas observações", escrevem os pesquisadores no artigo publicado.

"Trabalhos futuros em modelos de doença de Alzheimer devem incorporar leituras padrão de toxicidade em órgãos, além de painéis de enzimas dependentes de cobre e estresse oxidativo, para contextualizar a relação entre benefício e risco."

As evidências mostram com clareza que o Alzheimer é uma doença complexa, provavelmente com múltiplas causas e consequências interligadas.

Isso ajuda a explicar, em parte, por que alguns tratamentos anteriores direcionados à beta-amiloide tiveram menos sucesso do que se esperava.

Ainda assim, pouco a pouco, os pesquisadores estão montando esse quebra-cabeça - e estes resultados são animadores para o potencial do Cu(ATSM) em ajudar as dezenas de milhões de pessoas com Alzheimer ao redor do mundo.

"Como a redução da carga amiloide tem comprovação clínica de melhorar os desfechos funcionais, esses resultados pré-clínicos dão forte suporte à justificativa para testar esse medicamento em pacientes com Alzheimer sintomático inicial", afirma Nicolazzo.

A pesquisa foi publicada na ACS Chemical Neuroscience.

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