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O asteroide 2025 MN45 gira rápido demais - e o Vera C. Rubin o encontrou

Mulher estudando modelo de estrela e dados astronômicos em tablet, com telescópio atrás da mesa no pôr do sol.

Tão gigantesco e com uma rotação tão veloz em torno do próprio eixo que, em tese, já deveria ter se despedaçado há bilhões de anos. Então como esse colosso ainda consegue existir - e continuar inteiro?

Em 6 de janeiro de 2026, uma equipa de astrónomos anunciou, num artigo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, a descoberta de um verdadeiro monstro cósmico. Batizado de 2025 MN45, trata-se de um asteroide monumental com 710 metros de diâmetro (algo como oito campos de futebol), maior até do que o famoso Bennu.

Para além do tamanho fora do comum, ele gira em torno de si a uma velocidade nunca antes registrada para um asteroide dessa categoria. Ainda assim, não há motivo para alarme: ele segue a uma distância muito grande da Terra e não tem qualquer possibilidade de passar raspando por aqui - ao contrário do que aconteceu em outubro passado com 2025 TP5. O simples facto de 2025 MN45 ter sido identificado volta a mostrar que ainda nos faltam décadas de observação e dezenas de milhares de medições para, um dia, podermos realmente “conhecer” o nosso Sistema Solar.

Um colosso rochoso que contraria a física

No grande “catálogo” de asteroides, a maioria dos objetos com este porte tende a ter a estrutura que os cientistas chamam de rubble piles (em português, algo como “pilhas de escombros”): aglomerados de rochas, poeira e fragmentos, mantidos juntos sobretudo pela gravidade. Só que 2025 MN45 é um verdadeiro monólito de pedra.

2025 MN45 e a rotação extrema (1 minuto e 53 segundos)

Com uma rotação absurda, ele completa uma volta inteira em apenas 1 minuto e 53 segundos. Em teoria, sob a ação da força centrífuga, deveria ter se partido, porque a coesão gravitacional seria facilmente superada pela aceleração lateral - o que, em condições normais, não lhe daria qualquer hipótese de permanecer num único bloco.

Esse tipo de velocidade costuma ser observado apenas em asteroides pequenos, de poucos metros de diâmetro. Para um objeto com mais de 500 metros, nunca se tinha visto algo assim; em geral, corpos desse tamanho levam várias horas para concluir uma rotação. “Claramente, este asteroide deve ser composto por um material com resistência muito elevada para se manter inteiro enquanto gira tão rapidamente”, explica Sarah Greenstreet, astrónoma do NSF NOIRLab e autora principal do estudo.

Uma origem violenta: fragmentação por colisões

Um exemplar assim é, provavelmente, o remanescente de um processo de fragmentação por colisão: o “coração” exposto de uma antiga protoplaneta, arrancado durante um choque térmico e cinético extremamente violento. Um evento que, ao que tudo indica, ocorreu há bilhões de anos numa região remota do Universo - e do qual 2025 MN45 seria uma espécie de vestígio.

Vera C. Rubin e a nova vaga de descobertas

O objeto foi detectado graças ao Observatório Vera C. Rubin, que conta com a maior câmara digital do mundo - e pode ser apenas o primeiro de milhares a aparecer. Mesmo sem estar totalmente em operação, essa joia tecnológica está praticamente pronta para entrar em fase de exploração. E, já durante a etapa de testes (iniciada em 2024), 1 900 novos asteroides foram detectados.

Ao longo de dez anos, esse “olho ciclópico” vai registar o céu em alta definição para rastrear objetos de todos os tipos, mantendo uma vigilância permanente do nosso horizonte galáctico. Assim, 2025 MN45 deverá ficar marcado como o primeiro recordista da era Rubin, abrindo caminho para uma década que certamente será pontuada por descobertas igualmente vertiginosas e anómalas.


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