As projeções de geólogos indicam que, daqui a 250 milhões de anos, a Terra será muito diferente do planeta que conhecemos hoje. Se a França ainda existir nesse período, ela poderá aparecer em posição de destaque no planisfério.
No imaginário popular, o desenho atual dos continentes parece permanente. Só que, na escala do tempo geológico, o planeta nunca parou de mudar, reorganizando repetidamente terras e oceanos.
As simulações apontam para uma grande virada em 250 milhões de anos: o surgimento de um novo supercontinente chamado Pangéia Última. Nessa reorganização global, a França poderia acabar num ponto privilegiado, próxima de regiões que hoje estão separadas por milhares de quilómetros.
Um planeta em movimento: placas tectónicas e deriva continental
O que hoje vemos como “mapa do mundo” é apenas um retrato momentâneo. As placas tectónicas continuam a deslocar-se lentamente, impulsionadas por forças enormes que vêm do interior do manto terrestre, e essa deriva prepara novas colisões e novas separações.
Pangéia Última: o regresso do supercontinente
Há cerca de 200 milhões de anos, a Pangéia original começou a fragmentar-se devido ao movimento das placas tectónicas, dando origem, aos poucos, à configuração atual dos continentes. Porém, essa divisão seria apenas uma fase transitória na história do planeta.
De acordo com Christopher Scotese, geógrafo e criador do projeto PALEOMAP, esse processo contínuo levará, em 250 milhões de anos, à união das massas continentais num único bloco gigantesco: a Pangéia Última.
Nesse cenário, o oceano Atlântico deixará de existir, engolido pela aproximação progressiva das Américas em direção à África e à Eurásia. Já o oceano Índico passará a funcionar como um mar interior, cercado por territórios hoje familiares, mas profundamente transformados. O mapa global ficará irreconhecível: Cuba se unirá aos Estados Unidos, a Coreia ficará comprimida entre a China e o Japão, e a Gronelândia encostará no Canadá.
A França na Pangéia Última: vizinha do polo Norte e da África
Dentro dessa nova Pangéia, a França tenderá a ocupar uma posição estratégica. As simulações geológicas sugerem que o Hexágono migrará para latitudes mais ao norte, aproximando-se do polo Norte. E há outro fator decisivo: com o desaparecimento do mar Mediterrâneo, resultado direto do choque de placas, a França ficará muito mais perto do norte da África. Assim, as fronteiras francesas poderiam tocar não apenas Espanha, Portugal ou Itália, mas também Marrocos, Argélia e Tunísia.
Temperaturas acima de 40 °C e risco para os mamíferos
Essa mudança de geografia virá acompanhada de condições climáticas extremas. Segundo um estudo publicado na revista Nature, a formação da Pangéia Última provocará uma atividade vulcânica intensa, capaz de elevar fortemente a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera.
Com isso, a maior parte do supercontinente poderia enfrentar temperaturas acima de 40 °C e uma aridez generalizada, agravada por um Sol 2,5% mais brilhante do que o de hoje. Esse conjunto de fatores pode desencadear uma extinção em massa de mamíferos, incapazes de se adaptar a um ambiente tão hostil.
Onde ainda pode ser habitável
Apesar disso, áreas localizadas nas latitudes mais setentrionais, perto do que hoje é o círculo polar, poderiam manter um clima mais ameno e recursos hídricos mais estáveis. Com a França deslocada para essa faixa, o país estaria entre os poucos territórios ainda habitáveis desse novo mundo, ao lado do Reino Unido, de Portugal e de algumas partes do norte da África. Essa função de refúgio climático daria ao território francês um peso inédito na história futura do planeta.
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