A Força Aérea Real Dinamarquesa concluiu oficialmente o ciclo operacional de seus caças F-16 Fighting Falcon, aeronaves que sustentaram uma parte central do poder aéreo do país por 46 anos. A despedida foi realizada na Base Aérea de Skrydstrup, encerrando uma trajetória iniciada em 1980 e confirmando a passagem definitiva das responsabilidades para o F-35.
Desde que entraram em serviço, os F-16 estiveram presentes de forma constante em missões internas e em operações no exterior conduzidas pelas Forças Armadas Dinamarquesas. Ao longo de mais de quatro décadas, esses caças atuaram em diferentes cenários, como os Bálcãs, Afeganistão, Síria, Iraque e Líbia, cumprindo tarefas de vigilância, dissuasão e resposta aérea.
Cerimônia de Despedida em Skrydstrup
A solenidade oficial de aposentadoria aconteceu em 18 de janeiro, na Base Aérea de Skrydstrup, reunindo diferentes gerações de militares, técnicos e pilotos ligados ao sistema de armas F-16. O Ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen, presidiu o evento, que contou com a exposição de um F-16 que havia operado recentemente, ao lado de uma réplica de um caça F-35.
O centro das atividades foi o Hangar 3, onde se concentraram integrantes do Esquadrão 727 da Ala de Caça de Skrydstrup, unidade fortemente associada à história do Fighting Falcon na Dinamarca. Durante a cerimônia, o público acompanhou a mostra das aeronaves e teve a chance de conversar com profissionais que, ao longo dos anos, voaram e realizaram a manutenção dos F-16.
Entre os discursos, esteve o do General e ex-Chefe da Defesa Christian Hvidt (VIT), responsável por pousar o primeiro F-16 dinamarquês em Skrydstrup exatamente 46 anos atrás e que mais tarde comandou o Esquadrão 727. Em sua fala, ele recordou os primeiros passos do programa e a trajetória operacional do avião na Força Aérea.
“Não estamos falando da idade do F-16, pois ele foi mantido provavelmente pelos melhores técnicos aeronáuticos do mundo e é pilotado por alguns dos melhores pilotos do mundo”, afirmou Hvidt. “Parabéns ao 727. Que desafios enormes e empolgantes nos aguardam!”, concluiu.
Transição para o F-35
A retirada do F-16 ocorre em paralelo ao avanço do programa do caça furtivo F-35, que já passou a executar atribuições e missões anteriormente associadas ao Fighting Falcon. Ao mesmo tempo, a Dinamarca segue com o processo para adquirir um lote adicional de F-35 junto aos Estados Unidos, reforçando a migração para o novo sistema de armas.
Apesar de não integrarem mais o serviço ativo da Força Aérea Real Dinamarquesa, os F-16 não serão desativados de forma definitiva. Por manterem status operacional - resultado de décadas de manutenção e apoio técnico -, parte das aeronaves foi destinada a outros países.
Uma Nova Fase na Argentina e na Ucrânia
Uma parcela dos F-16 dinamarqueses foi vendida à Argentina, enquanto outra foi doada à Ucrânia (já equipada com mísseis guiados APKWS II), permitindo que o modelo siga em operação em novas forças aéreas. No caso argentino, as aeronaves integram o Programa Peace Condor, por meio do qual a Força Aérea Argentina (FAA) avança na incorporação e na prontidão do F-16AM/BM Fighting Falcon.
Nesse cenário, a FAA publicou recentemente uma nova licitação para ampliar o suporte operacional do sistema. Por intermédio do Escritório do Adido Aéreo na Embaixada da República Argentina nos EUA, foi divulgada a Licitação nº 40/03-012-LPU25, voltada à compra de pneus do trem de pouso principal e do trem dianteiro - itens essenciais para as futuras operações dos caças destinados ao Grupo de Caça 6, atualmente baseado de forma temporária na Área de Material Aéreo de Río Cuarto (ARMACUAR).
Além disso, em 9 de janeiro, a Força Aérea Argentina recebeu na ARMACUAR um carregamento logístico composto por 50 contêineres contendo ferramentas, peças de reposição, componentes e armamentos, com a finalidade de sustentar a operação do sistema F-16. O material fortalece a base de apoio logístico do programa e é um avanço importante para consolidar a capacidade operacional da aeronave.
Esse envio complementa o primeiro pacote logístico recebido em setembro de 2025, em Kolding, na Dinamarca, ocasião em que uma delegação técnica argentina realizou a conferência física e documental do equipamento sob o sistema de gestão ILIAS, empregado pela Força Aérea Real Dinamarquesa e adotado pela Argentina.
Com a aposentadoria oficial do F-16 na Dinamarca, encerra-se um capítulo marcante da aviação militar do país escandinavo, enquanto os caças seguem em atividade em outras forças aéreas, prolongando o legado de um dos modelos mais utilizados das últimas décadas.
Imagem da capa e fotos da cerimônia obtidas das Forças Armadas Dinamarquesas.
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