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Super Étendard Modernisé da Armada Argentina pode ser retirado de serviço em 2025

Homem de macacão azul segura capacete em hangar com caça militar ao fundo ao pôr do sol.

Poucas novidades em 2025 e um sinal de mudança

Ao longo de 2025, quase não surgiram atualizações sobre os caças Super Étendard da Armada Argentina. O tema não apareceu em falas públicas de autoridades da força e tampouco nos Informes de Gestão enviados pela Chefia de Gabinete de Ministros ao Congresso da Nação.

Esse silêncio, segundo apurou o Zona Militar, parece antecipar uma definição que vem sendo maturada no âmbito da Chefia: a possível retirada de serviço das aeronaves Super Étendard Modernisé (SEM) compradas em 2019 e que, até agora, apesar de esforços e ensaios realizados, não chegaram a completar sequer o primeiro voo de testes.

Ainda conforme as fontes consultadas, a decisão teria sido comunicada em encontros de camaradagem com a participação de altos comandos da Armada, nos quais foi apresentado um panorama sobre a situação atual e as perspectivas futuras da força.

Super Étendard Modernisé: objetivo da compra e os entraves iniciais

Adquiridos em 2019, durante a administração do então presidente Mauricio Macri, os Super Étendard Modernisé foram incorporados com a intenção de recompor capacidades que o Comando de Aviação Naval, na prática, havia perdido. Em especial, buscava-se recuperar o potencial de combate ar-ar e ar-superfície proporcionado pela dupla Super Étendard/AM-39 Exocet.

No entanto, desde a chegada ao país, uma sequência de problemas impactou a colocação em serviço das aeronaves. Segundo indicou a França, os aviões não estavam em condições de voo.

Como já foi apontado em diversas notas e artigos, dificuldades típicas de uma plataforma com décadas de uso acabaram por frustrar os planos do Comando de Aviação Naval. Atualmente, com a desativação desse modelo já efetivada há anos pela Marinha Nacional francesa, a Armada Argentina permanece como a única operadora mundial dessa plataforma de ataque.

Problemas técnicos, DIGAMC e a espera pelo voo de teste

Sem entrar em detalhes adicionais - já tratados ao longo de meses e anos -, as informações mais recentes sobre o quadro e o futuro dos Super Étendard (SUE) e Super Étendard Modernisé (SEM) vieram do próprio Chefe do Estado-Maior-Geral da Armada Argentina, contra-almirante Carlos María Allievi, em diferentes entrevistas.

Em conversa concedida ao Zona Militar no ano passado, o Chefe da Armada afirmou: “...a Armada está focada em que o avião Super Étendard Modernisé, que foi comprado em 2019 e que ainda, dos cinco que compramos, nenhum voou, hoje um desses cinco pode fazer o que se chama voo de teste, estamos focados nisso. E quero destacar que não há uma demora burocrática, é apenas uma demora técnica...”.

Na mesma ocasião, acrescentou: “...são basicamente o paraquedas, o assento ejetor, algum tipo de fissura estrutural que não é relevante, mas que é preciso analisar se tem alguma implicação no voo, e a questão do motor...”, e explicou que “...a questão do motor já foi colocada em funcionamento na semana passada, foram coletados todos os parâmetros, esses parâmetros foram enviados à DIGAMC (Direção Geral de Aeronavegabilidade Militar Conjunta), que é a direção do Estado-Maior Conjunto que tem de aprovar que o avião está em condições de executar o voo de teste...”.

Mais tarde, com a apresentação do Informe N.º 141 à Câmara de Senadores do Congresso da Nação, foi informado que estavam em andamento diferentes tratativas com órgãos estatais e empresas privadas para avançar nas certificações do material pirotécnico das aeronaves. Entre elas, citou-se o CITEDEF, responsável por determinar a vida útil de componentes pirotécnicos e propulsivos, além do envio de um assento ejetor à empresa MBA S.A. para avaliação.

Apesar dessas iniciativas - que incluem testes de solo de variados tipos -, até o momento não foi concluído o processo de certificação da aptidão das aeronaves SEM para iniciar os voos de prova, permanecendo pendente a autorização final por parte da DIGAMC.

Impacto na EA32 e o contexto orçamentário

A combinação desses fatores estaria levando a uma decisão definitiva que, em um primeiro momento, atingiria apenas os Super Étendard Modernisé adquiridos da França. Ainda assim, o cenário também deixaria em completa incerteza tanto os Super Étendard originais quanto a Segunda Esquadrilha Aeronaval de Caça e Ataque (EA32), diante da possibilidade de desativação dessas aeronaves, sem que tenham sido detalhados maiores elementos.

No campo das hipóteses, o quadro atual indica que a situação orçamentária da Armada Argentina se torna cada vez mais delicada, apesar dos anúncios oficiais. A força precisa escolher quais programas e projetos receberão recursos limitados, avaliando quais têm maiores chances de se concretizar adiante.

Nesse conjunto, entram a incorporação dos P-3C/N adquiridos da Noruega, a necessária compra de helicópteros Sea King para apoio à Campanha Antártica de Verão e os helicópteros leves AW109 para os navios-patrulha oceânicos - um processo sobre o qual também não foram registradas novidades.

Diante de tudo isso, a Armada Argentina volta a se aproximar de uma perda formal de capacidades sem dispor de um substituto ou reposição que preencha o vazio deixado pela baixa e desativação dos Super Étendard e Super Étendard Modernisé. No caso dos primeiros, eles não voam há mais de dez anos.

Fotografias utilizadas apenas para ilustração.

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