Interceptação no Mar Báltico com Eurofighter Typhoon italianos
Em 16 de janeiro, o Comando Aéreo da OTAN informou que caças Eurofighter da Força Aérea Italiana realizaram a interceptação de uma aeronave anfíbia Be-200, pertencente à Aviação Naval Russa, em uma ocorrência fora do padrão, enquanto o avião se aproximava do espaço aéreo do Mar Báltico dentro da área de responsabilidade da Aliança. De acordo com o que foi divulgado, a ação ficou a cargo de dois Typhoon baseados na Base Aérea de Amari, na Estônia, integrando o destacamento de Roma para operações reforçadas de policiamento aéreo na região sob a égide da OTAN.
Por que o Beriev Be-200 torna o caso incomum
O episódio chama atenção não por envolver a defesa do espaço aéreo europeu - algo que, segundo a OTAN, somou mais de 500 ocorrências em 2025 -, e sim pela presença do citado Beriev Be-200, um modelo do qual a Marinha Russa opera apenas um número reduzido. Trata-se de uma aeronave anfíbia concebida para cumprir uma variedade de tarefas, como combate a incêndios, transporte de pessoal e carga, busca e salvamento e vigilância marítima. Também é atípico que seja um anfíbio a jato, já que, nesse tipo de plataforma, o emprego de hélices é mais comum.
Estimativas distintas apontam que a Marinha Russa dispõe de uma frota entre uma e três unidades, o que torna ainda mais rara a participação de um Be-200 em missões desse tipo. Soma-se a isso o fato de que a fábrica da Beriev responsável pela produção, localizada em Taganrog, foi atingida por ataques ucranianos com sistemas não tripulados; embora não exista confirmação oficial de perda de aeronaves, esses eventos teriam reduzido a capacidade de voltar a produzi-las.
Interceptações recentes e o destacamento na Estônia
Cabe lembrar que esta não foi a única interceptação recente feita por caças italianos contra aeronaves russas pouco vistas, como o Tu-134A-4 “Pérola Negra”. Como relatamos no fim de novembro passado, esse avião foi interceptado por Eurofighters italianos enquanto seguia escoltado por dois Su-30SM2 da Marinha Russa em direção a Kaliningrado. Foi o primeiro registro de um encontro desse tipo desde 2020.
Retomando o ponto sobre o elevado volume de missões de interceptação conduzidas por aeronaves europeias no espaço aéreo da OTAN, vale destacar que os Eurofighters italianos chegaram à Estônia em setembro de 2025 para substituir os F-35A da Força Aérea Italiana. Durante o período no país, os caças furtivos cumpriram 150 missões, somando mais de 300 horas de voo. Desse total, aproximadamente 10 foram classificadas como missões de alerta máximo (A-scrambles).
Imagem da capa: OTAN
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