Pular para o conteúdo

Microsoft testa Disc2Digital no Xbox para avançar no digital sem matar o jogo físico

Jovem colocando disco em console Xbox Series X em sala com TV exibindo jogos digitais.

A Microsoft estaria a considerar uma forma de avançar para um ecossistema 100% digital no Xbox sem, ao mesmo tempo, decretar o fim do jogo físico. A seguir, explicamos a ideia.

A decisão da Sony no PS5 e a polémica dos jogos em disco

A Sony causou alvoroço ao anunciar que vai encerrar de forma total e definitiva o lançamento de jogos em disco para a PS5. Trata-se de uma viragem estratégica marcante - e também bastante contestada. Muitos jogadores continuam a valorizar as caixas, mas principalmente os discos, por representarem a posse de um jogo “em mídia física”.

Pela lógica do mercado, a Microsoft tenderia a seguir a mesma direção. Ainda assim, a empresa aparentemente estaria a preparar um mecanismo para não eliminar por completo o físico… pelo menos por enquanto.

Disc2Digital: um caminho da Microsoft para o Xbox rumo ao desmaterializado

Conforme relatou Tom Warren, do The Verge, a Microsoft estaria a testar internamente um recurso chamado Disc2Digital. A proposta seria direta: permitir que jogos físicos sejam transformados em versões desmaterializadas, sem “riscar” totalmente as características ligadas ao disco. Como isso funcionaria, exatamente? Vamos por partes.

Como funcionaria o Disc2Digital?

O Disc2Digital seria pensado como uma solução de longo prazo, sobretudo de olho na próxima consola, a Helix. Ao colocar um disco no console, o sistema copiaria os dados e concederia um direito de acesso digital à conta Xbox associada.

Na prática, seria como ter o jogo em formato digital: o utilizador poderia jogar sem o disco, usar streaming e até aceder noutras plataformas via Xbox Play Anywhere.

O disco ainda teria “poder”: revenda, empréstimo e perda de direitos

Mesmo depois de vincular o acesso à conta, o disco não deixaria de servir. Se o jogo físico for revendido ou emprestado e ativado noutro perfil, o dono anterior perderia os respetivos direitos. Seria uma forma de manter o “poder” ligado ao disco, ao mesmo tempo em que a Microsoft aposta no desmaterializado.

Compatibilidade com Xbox One/Xbox Series e o papel da Helix

Segundo a mesma informação, a funcionalidade seria compatível apenas com discos de Xbox One e Xbox Series. Ainda não está claro se ela chegaria às Xbox Series X/S ou se seria implementada diretamente na futura Xbox, a Helix.

Caso a Helix não tenha leitor de discos, o Disc2Digital funcionaria como alternativa para preservar a biblioteca física na consola atual sem precisar comprar tudo novamente na loja online do próximo aparelho. Para uma marca que se apoia fortemente no seu catálogo histórico - com uma retrocompatibilidade avançada - isso seria, no mínimo, esperado. Por outro lado, isso também implicaria que os novos jogos passariam a ser 100% digitais.

De toda forma, a estratégia permitiria à Microsoft colher as vantagens do digital e, ao mesmo tempo, agradar aos jogadores. Só que, ainda que o disco continuasse a ser “o jogo”, o acesso ficaria condicionado ao que a Microsoft decidir.

O que aconteceria se, de um dia para o outro, a empresa de Redmond resolvesse tornar um jogo inacessível sem grande justificativa? E o que impediria a cobrança de uma taxa de ativação cada vez que um jogo é revendido e associado a uma nova conta, para tirar alguns euros do mercado de usados? Convém não idealizar: as fabricantes querem o desaparecimento do jogo físico não por praticidade, mas para maximizar o dinheiro que conseguem arrecadar.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário