A “guerra das estrelas” está mesmo a todo vapor. Ao conseguir recuperar o booster do seu foguete pesado New Glenn, a Blue Origin deu um passo decisivo. A seguir, o que diferencia esse lançador do gigantesco Starship, da SpaceX.
Enquanto a SpaceX completou com sucesso os dois últimos testes do Starship e agora se prepara para campanhas mais ambiciosas - inclusive em órbita -, nos últimos dias foi a Blue Origin que ficou no centro dos holofotes.
Na quinta-feira, 13 de novembro, a empresa de Jeff Bezos realizou o segundo voo do New Glenn. O resultado foi impecável: a carga útil foi colocada em operação sem problemas, com duas sondas da NASA a caminho de Marte para estudar o clima atmosférico do planeta. Mais importante ainda, a companhia conseguiu pousar o primeiro estágio numa barcaça no meio do Atlântico. Um feito que, até então, só a SpaceX tinha demonstrado - mas nunca com um booster tão pesado.
O suficiente para reacender a corrida espacial, num momento em que cada um desses foguetes terá um papel relevante no programa Artemis, que deve marcar o regresso da humanidade à Lua. Só que, apesar de ambos serem “monstros” da engenharia, eles diferem em vários aspetos.
O tamanho
O New Glenn, foguete pesado da Blue Origin, mede 98 metros de altura e 7 metros de diâmetro. É um colosso pensado sobretudo para colocar carga em órbita e sustentar missões frequentes.
O Starship, porém, está noutro patamar: 120 metros de altura e 9 metros de diâmetro, com variantes futuras ainda maiores à medida que a SpaceX continua a iterar. É, simplesmente, o maior foguete já construído. Boa parte disso vem do primeiro estágio, o booster Super Heavy, que sozinho tem cerca de 70 metros.
A capacidade de carga útil
O New Glenn consegue colocar cerca de 45 toneladas em órbita baixa e 13 toneladas em órbita de transferência geoestacionária. Isso cobre com folga os lançamentos comerciais tradicionais, de satélites a cargas médias, além de missões institucionais.
No Starship, os números são bem mais agressivos. Em versão reutilizável, o veículo pode levar entre 100 e 150 toneladas para a órbita baixa. Já num uso não reutilizável, esse total pode chegar a 250 toneladas: trata-se do lançador mais ambicioso já concebido.
Essa diferença reflete o posicionamento de cada um. O New Glenn procura confiabilidade e o mercado comercial de hoje; o Starship foi desenhado como um veículo interplanetário, voltado para a Lua e, sobretudo, para Marte.
A reutilização
O New Glenn adota a fórmula tornada popular pela SpaceX ao reutilizar o primeiro estágio. Já o segundo estágio é descartado a cada missão, como acontece no Falcon 9.
O Starship leva a ideia muito mais longe. A proposta é que tudo volte e possa voar novamente em sequência: tanto o booster Super Heavy quanto o estágio superior. É uma abordagem radical, no centro da estratégia de Elon Musk para aumentar drasticamente a cadência de lançamentos e reduzir preços.
O pouso
Os dois foguetes regressam à Terra, mas não da mesma forma. No New Glenn, o primeiro estágio desce de forma autónoma e faz um pouso controlado numa barcaça no Atlântico, num método muito semelhante ao do Falcon 9 da SpaceX.
No caso do Starship, a recuperação depende de dois braços mecânicos gigantes, conhecidos simplesmente como Mechazilla, encarregados de “capturar” os estágios nos instantes finais do voo antes de tocarem o solo. Até agora, a empresa de Elon Musk não tentou recuperar o segundo estágio porque, vale lembrar, o Starship ainda está na fase de protótipo.
O reabastecimento
Essas escolhas também influenciam a forma de reabastecer. O New Glenn segue um modelo mais tradicional, ao passo que o Starship poderá reabastecer diretamente em órbita terrestre. Isso amplia o alcance, aumenta a flexibilidade e permite levar mais carga, apontando para destinos que, de outro modo, ficariam fora de alcance. É um sistema que abre caminho para missões muito mais versáteis.
Os motores
No New Glenn, os 7 motores BE-4 trabalham com metano e oxigénio líquido. Eles usam um ciclo de combustão do tipo “staged” (em etapas), que melhora o rendimento e reduz perdas de energia. Além disso, foram projetados para serem reutilizados várias vezes, permitindo que a Blue Origin diminua gradualmente os custos de lançamento.
Já o Starship utiliza uma geração mais avançada: os motores Raptor. Também queimam metano e oxigénio líquido, mas adotam um ciclo “full-flow”, ainda mais eficiente. Isso melhora a confiabilidade, a performance e a capacidade de voltar a voar rapidamente. E como a SpaceX instala muito mais unidades do que no New Glenn - 33 ao todo - o conjunto consegue levantar cargas muito mais pesadas e suportar mais voos.
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