Frota russa: quase 20% dos aviões no chão no pico do verão
Em plena alta temporada de verão na Rússia, quase um em cada cinco aviões das maiores companhias aéreas do país não está voando.
Uma apuração do portal russo Kommersant, baseada em dados de rastreamento de voos, indica que, em 28 de junho, 130 das 673 aeronaves pertencentes às 11 principais empresas aéreas russas estavam paradas. Esse total corresponde a 19,3% da frota que responde por mais de 90% do transporte de passageiros no país.
Fontes do setor e especialistas ouvidos pela imprensa russa afirmam que, nessa época do ano, o patamar considerado normal fica em torno de 10%, já que o verão costuma concentrar demanda elevada. Em 2026, porém, o aumento de aeronaves indisponíveis é atribuído principalmente ao tempo maior para concluir serviços de manutenção técnica.
Mesmo com o índice acima do usual, representantes da indústria avaliam que o quadro é administrável, sobretudo diante das limitações impostas à aviação russa desde o início das sanções internacionais relacionadas à segunda invasão da Ucrânia pelo governo russo. A projeção é que, em 2026, o volume de passageiros transportados permaneça perto do registrado no ano anterior, sem retração relevante.
Grupo Aeroflot: percentual de indisponibilidade menor
Entre as empresas do Grupo Aeroflot, os números são mais favoráveis. Dentro da holding, 37 das 349 aeronaves estão fora de operação, o que equivale a pouco mais de 10% do total.
Na Aeroflot, especificamente, apenas sete dos 171 aviões não estão em serviço - o equivalente a 4%.
A companhia informou que seis dessas aeronaves estão em armazenamento temporário e passam por preparativos para retornar à operação. Também ressaltou que pretende empregar todos os aviões disponíveis na malha de verão e, para ampliar a capacidade, utiliza ainda dois Airbus A330 recebidos da iFly em regime de arrendamento com tripulação (wet lease), modalidade na qual a aeronave é disponibilizada juntamente com a equipe.
Rossiya: mais aeronaves fora de operação na temporada
Na Rossiya, o percentual de indisponibilidade é mais alto. Da frota de 136 aviões, 30 permanecem parados, cerca de 22%.
Entre os equipamentos fora de operação estão seis dos oito Boeing 747, seis dos dez Boeing 777, um Airbus A319 e 17 jatos Sukhoi SSJ-100. Desse conjunto, dez já estavam estacionados entre 2022 e 2025, enquanto outros cinco entraram em manutenção na segunda quinzena de junho. Além disso, duas aeronaves do mesmo modelo foram retiradas da programação em 24 de junho devido a falhas nos motores.
A empresa afirma que planeja operar 116 aeronaves ao longo da temporada de verão, incluindo 69 aeronaves SSJ100. A Rossiya também destacou que esse modelo vive hoje o maior volume de voos de toda a sua história operacional e reforçou que a quantidade de aeronaves em manutenção varia conforme o calendário de inspeções periódicas definido pelos fabricantes.
Pobeda: todos os Boeing 737 em atividade
Na companhia de baixo custo Pobeda, o cenário é outro. Os 42 jatos Boeing 737 que compõem a frota estão em operação.
A empresa diz ter a frota mais nova entre as companhias aéreas russas e projeta manter todos os aviões ativos durante toda a temporada.
S7 Airlines: A320neo parados por problemas de motor
A situação mais sensível aparece na S7 Airlines, maior companhia aérea privada da Rússia. Cerca de um terço da frota está parado, somando 33 aeronaves.
Desse total, 32 são da família Airbus A320neo e permanecem fora de serviço por questões nos motores, além de um Embraer.
Atualmente, a empresa opera 104 aviões de passageiros e planeja recolocar em operação, ainda neste verão, dois Airbus recebidos da Red Wings. Segundo a companhia, o objetivo para 2026 é, no mínimo, manter o mesmo volume de passageiros transportados registrado no ano passado.
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