A elite global da panificação e das pizzas artesanais encontrou-se em Milão, na Itália, para a divulgação da quarta edição do The Best Pizza Awards 2026. O ranking internacional - ligado diretamente ao prestigiado The Best Chef Awards - colocou cinco profissionais em atividade no Brasil entre os 100 melhores pizzaiolos do mundo, reforçando o eixo São Paulo–Rio de Janeiro como um dos grandes centros da alta gastronomia voltada à pizza artesanal.
Essa evolução do Brasil acompanha uma movimentação clara do setor: técnica apurada, ancorada na tradição italiana, somada à inventividade e ao ritmo acelerado do mercado nacional.
Com fermentações naturais longas, métodos de inspiração romana e releituras do estilo napolitano, os pizzaiolos brasileiros conquistaram espaço definitivo diante de um júri conhecido pelo nível de exigência e formado por especialistas de diferentes nacionalidades.
Os brasileiros no Top 100 Mundial
- 42º lugar: Dani Branca (Soffio Pizzeria – São Paulo, SP)
- 51º lugar: Fellipe Zanuto (A Pizza da Mooca – São Paulo, SP)
- 55º lugar: Matheus Ramos (QT Pizza Bar – São Paulo, SP)
- 78º lugar: Pedro Siqueira (Sìsì – Rio de Janeiro, RJ)
- 83º lugar: André Guidon (Leggera Pizza Napoletana – São Paulo, SP)
Os nomes por trás dos balcões nacionais
Dani Branca (42º) – A essência italiana na capital paulista
Vivendo no Brasil há mais de 20 anos, o italiano Dani Branca aparece como o profissional em atuação no país mais bem ranqueado na lista. Sua trajetória por aqui começou no interior de São Paulo e, atualmente, ele lidera os fornos da elogiada Soffio Pizzeria, no Campo Belo, na capital. Além disso, assina a consultoria da reconhecida Pizzaria do Azeite Sabiá, instalada na Serra da Mantiqueira, em Santo Antônio do Pinhal.
Fellipe Zanuto (51º) – O pioneirismo e a diversidade de estilos
Fellipe Zanuto é frequentemente citado como um dos principais impulsionadores da onda que levou a pizza napolitana a ganhar popularidade em São Paulo. No comando d’A Pizza da Mooca (com unidades na Mooca, Pinheiros e Vila Mariana), ele ampliou o negócio com a Da Mooca Pizza Shop - uma das primeiras a apostar no estilo teglia romano - e com a Onesttà, que homenageia a clássica e nostálgica pizza de bairro paulistana. Zanuto também está à frente da Hospedaria, dedicada à culinária dos imigrantes.
Matheus Ramos (55º) – Do mercado financeiro aos Jardins
Publicitário de formação e carioca de coração, Matheus Ramos abandonou uma carreira consolidada no disputado mercado financeiro para inaugurar a QT Pizza Bar, nos Jardins, em São Paulo. Após seis anos de atividade ininterrupta, a casa - voltada a pizzas napolitanas com estética contemporânea - já tinha alcançado o 36º lugar no 50 Top Pizza World 2025 e, agora, vê seu criador receber reconhecimento individual em escala global.
Pedro Siqueira (78º) – A potência da fermentação natural no Rio
No Top 100, o Rio de Janeiro marca presença com o empresário e chef Pedro Siqueira, responsável pela Sìsì, que mantém três unidades de grande movimento na capital fluminense. Com foco na pureza da fermentação natural e no respeito rigoroso ao tempo de cada ingrediente, Siqueira prepara a expansão para São Paulo, onde deve abrir em breve o Marmotta Pasta Bar.
André Guidon (83º) – O embaixador da tradição napolitana
André Guidon, que trabalhava como engenheiro de som, trocou as mesas de áudio pelos fornos em 2006. Mais tarde, mudou-se para Nápoles para obter certificação na prestigiada Associação Verace Pizza Napoletana (AVPN). De volta ao Brasil, criou a Leggera Pizza Napoletana, em São Paulo, apontada recentemente - pela terceira vez consecutiva - como a melhor pizzaria de toda a América Latina pelo guia 50 Top Pizza. O destaque individual no ranking anunciado em Milão amplia ainda mais essa trajetória.
Olhar atento: O destaque de Sei Shiroma
Além da lista principal com os cem melhores do mundo, a organização do prêmio lançou, neste ano, uma seleção especial com 50 profissionais que “merecem atenção internacional pela sua paixão, técnica e visão”.
Dentro desse recorte, o Brasil aparece representado por Sei Shiroma, da pizzaria carioca Ferro e Farinha.
Filho de pais de origem chinesa e japonesa, Shiroma cresceu em Nova York e deixou a publicidade para se mudar para o Brasil em 2011. Dois anos depois, passou a vender pizzas nas ruas do Rio de Janeiro com um forno a lenha adaptado no porta-malas de um carro. Hoje, a Ferro e Farinha soma cinco endereços consolidados e já apareceu no Top 50 do mundo.
O domínio absoluto da Itália
Mesmo com uma concorrência internacional forte e em expansão, o topo do pódio permaneceu sob domínio total dos italianos. Pelo segundo ano seguido, o chef Francesco Martucci, do restaurante I Masanielli, em Caserta, foi eleito o melhor pizzaiolo do planeta.
”A pizza não é construída por uma só pessoa. É moldada pelas gerações que desenharam este ofício antes de nós e pelas pessoas que estão ao meu lado todos os dias. Os prémios celebram apenas um momento. O que realmente importa é o que fazemos no dia seguinte”, declarou Martucci, emocionado, ao receber o troféu.
A quarta edição do prêmio completou o pódio com Roberto Davanzo (Bob Alchimia a Spicchi, em Montepaone) na segunda posição e Francesco Capece (do inovador Confine, em Milão) em terceiro.
O resultado expressivo dos profissionais que atuam no Brasil evidencia um mercado mais amadurecido: o público já não busca apenas o prato clássico do domingo, e sim uma experiência gastronômica mais complexa, técnica e alinhada a padrões estritamente globais.
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