O ano passado entrou para a história da SEAT S.A., que alcançou os melhores resultados financeiros de toda a sua trajetória. Já em 2025, o cenário mudou: surgiram obstáculos adicionais e, no meio desse contexto, Wayne Griffiths deixou o comando da marca.
Quem assumiu a posição foi Markus Haupt - primeiro de forma interina e, em seguida, como diretor-executivo efetivo. E a troca de liderança veio acompanhada de decisões rápidas, com mudanças anunciadas principalmente para a CUPRA.
CUPRA fora dos EUA e nova estratégia internacional
Até março, ainda com Griffiths à frente, a ideia da CUPRA era avançar para os EUA antes do fim da década. Em conversa com a Autocar, porém, Haupt foi categórico: “Os planos de entrada da CUPRA nos EUA foram arquivados”.
Ele não detalhou diretamente as razões, mas a entrada em vigor das novas tarifas alfandegárias norte-americanas em abril tende a ter influenciado a escolha - hoje, elas estão em 15% para a União Europeia - e já têm representado centenas de milhões de euros em custos para diferentes marcas europeias.
Apesar disso, o novo executivo mantém o objetivo de ampliar a presença internacional, só que com outro foco: o Oriente Médio. “O foco está nesta região. Recebemos muitos testemunhos positivos e, financeiramente, faz sentido. É o próximo passo lógico”, afirma Haupt.
Além do Oriente Médio, o diretor-executivo da CUPRA também cita a intenção de chegar a mercados como Turquia e México.
Novo topo de gama
Para sustentar esse movimento, a CUPRA quer levar sua gama a um patamar mais alto. Entre as metas está entrar no segmento D (peruas/executivos médios), com um modelo inédito acima de Terramar e Tavascan.
O concept Tindaya, exibido neste ano no Salão de Munique, materializa essa ambição - mas o lançamento ainda vai demorar. A previsão é apenas para o começo da próxima década, justamente para aproveitar a futura plataforma SSP do Grupo Volkswagen, que sucederá a atual MEB.
“Este é um passo necessário, pois encaixa-se em mercados como o Médio Oriente, Turquia e México. Precisamos de um portfólio que nos permita estar presentes em diferentes mercados. Lançámos sete carros em sete anos e precisamos de continuar a crescer. Estaremos sempre a avaliar se há espaço para mais, e no futuro exploraremos mais segmentos, carros diferentes e novos mercados”, disse.
Antes dessa subida de posicionamento, a marca deve alargar a gama já no ano que vem com o seu modelo mais compacto e mais acessível até agora, o Raval - que também apareceu em Munique, ainda camuflado.
Raval e o investimento em elétricos acessíveis na Espanha
Vale lembrar que Markus Haupt é apontado como um dos nomes centrais por trás da transformação do fabricante de Martorell - e, por extensão, da Espanha - em um dos polos europeus de mobilidade elétrica. Foi ele quem liderou o investimento de 10 mil milhões de euros para levar ao país o desenvolvimento e a produção da nova geração de elétricos acessíveis do Grupo Volkswagen, que inclui o Raval, os Volkswagen ID. Polo e ID. Cross e o Skoda Epiq.
Fim da SEAT?
Hoje, a CUPRA já é o principal motor do desempenho da SEAT S.A. Nos primeiros nove meses do ano, a marca emplacou 245 300 unidades, um crescimento de 37% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, a SEAT caminhou na direção oposta, com recuo de 20,1% e 194 200 carros comercializados.
O futuro da SEAT tem sido tema recorrente nos últimos anos, mas Haupt reforça que a marca segue com papel relevante: “A SEAT complementa a CUPRA, atendendo a clientes diferentes e em mercados distintos. Continuamos a investir nela”.
Como prova, ele cita as atualizações recém-apresentadas de Ibiza e Arona, que, além de alterações visuais, vão estrear uma motorização eletrificada (mild-hybrid 48 V). Também foram confirmadas mudanças para o Leon: ele ganhará uma versão full hybrid em 2028 e uma nova geração em 2029.
Haupt concluiu que “ter duas marcas oferece uma flexibilidade valiosa para responder a diferentes mercados e perfis de clientes”.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário