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ACAP apresenta cinco medidas para reformar o setor automotivo, com cheque automóvel de 5000 euros até 40 000 veículos até 2026

Carro elétrico verde metálico estacionado em ambiente interno com carregador ao fundo.

Medidas estruturais propostas pela ACAP

A Associação Automóvel de Portugal (ACAP) anunciou hoje um conjunto de cinco medidas estruturais para “reformar o setor automóvel e acelerar a transição energética”, que pretende apresentar ao Governo. A proposta foi divulgada em uma coletiva de imprensa realizada na sede da entidade, uma das principais associações do setor.

Cheque automóvel e incentivo ao abate

O eixo central do pacote passa pela criação de um novo programa de incentivo ao abate de veículos em fim de vida. A ideia é implementar um “cheque automóvel” que pode chegar a 5000 euros por veículo, com cobertura para até 40 000 veículos até 2026.

A ACAP avalia negativamente o programa atual do Fundo Ambiental, classificando-o como “ineficaz” e excessivamente curto - os recursos se esgotaram em apenas quatro dias. Como alternativa, a associação propõe ampliar o benefício para a compra de qualquer veículo eletrificado, incluindo híbridos e híbridos plug-in, desde que tenham matrícula portuguesa.

Revisão da tributação automotiva: ISV e IUC

Outra frente defendida pela ACAP é uma revisão profunda da tributação automotiva, que inclua a eliminação progressiva do ISV até 2030 e o aumento do peso do IUC. Embora a entidade aponte uma perda fiscal inicial de 176 milhões de euros, estima um resultado líquido positivo de 315 milhões de euros, sustentado pelo crescimento da arrecadação de IVA e IUC sobre veículos mais novos.

Usados importados, PHEV e base de dados centralizada

A associação também chama atenção para o peso da importação de veículos usados, que em 2024 representou mais da metade das matrículas, com idade média de oito anos. Para responder a esse cenário, a ACAP quer reforçar os controles de partículas nas Inspeções Periódicas Obrigatórias (IPO) e alerta para o risco de Portugal virar o “caixote do lixo da Europa”, como afirmou o novo presidente da associação, Sérgio Ribeiro.

A reavaliação dos critérios de emissões dos híbridos plug-in (PHEV) é outra prioridade. Com a adoção do novo protocolo Utility Factor (UF), diversos modelos podem perder os benefícios fiscais atuais, e a ACAP pede uma adaptação dos critérios para evitar distorções.

Por fim, a entidade propõe a criação de uma base de dados centralizada, compartilhada entre o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), os centros de inspeção (IPO) e as seguradoras, para assegurar a eficácia das campanhas de recolhimento de veículos com defeitos ou falhas de segurança.

A ACAP espera que essas medidas sejam debatidas e, eventualmente, incorporadas ao programa de Governo que sair das próximas eleições.

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