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O Ministério das Relações Exteriores do Japão informou que o posicionamento, em território japonês, do sistema de mísseis norte-americano Typhon não tem como alvo nenhum país específico. A declaração veio depois de a Rússia ter afirmado que se reserva o direito de adotar “as medidas necessárias” para assegurar a própria segurança.
O que é o sistema Typhon dos EUA e por que ele gerou reação
Operado pelo Exército dos Estados Unidos, o Typhon é uma plataforma terrestre capaz de cumprir missões de ataque com mísseis de cruzeiro Tomahawk, com alcance de até 1.600 quilômetros. O sistema também pode disparar mísseis antiaéreos Standard SM-6 de longo alcance. O envio ocorreu de forma temporária em setembro, durante o exercício bilateral Resolute Dragon 25, com a finalidade de ampliar a capacidade de desdobramento móvel entre as duas forças.
A iniciativa elevou a preocupação em Moscou, que ressaltou que o raio de ação do sistema coloca o extremo leste russo dentro do seu alcance operacional. Em 31 de outubro, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia apresentou um protesto formal à embaixada do Japão, alegando que o equipamento, instalado na base aérea de Iwakuni, não havia sido retirado após o término do exercício. Em nota, o órgão declarou que “a Federação Russa se reserva o direito de tomar as medidas compensatórias necessárias para garantir o nível adequado de sua segurança”.
Em resposta, o governo japonês afirmou que o desdobramento foi temporário e não representa ameaça para a região. Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Japão, o exercício “não está dirigido a nenhum país ou região específica”, e o Typhon está em processo de recolhimento. Já o Ministério da Defesa japonês reforçou que a movimentação não significa a instalação permanente de mísseis dos EUA no país.
Tratado INF e o retorno de mísseis terrestres de alcance intermediário
A volta de sistemas terrestres de alcance intermediário por parte dos Estados Unidos ocorre após a saída de Washington, em 2019, do Tratado sobre Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), acordo que proibia mísseis com alcance entre 500 e 5.500 quilômetros. À época, os EUA justificaram a decisão afirmando que a Rússia havia violado o tratado.
A partir de Moscou, o pesquisador Dmitry Stefanovich, do Instituto Primakov da Academia de Ciências da Rússia, avaliou que “o Typhon em si não representa um grande desafio neste momento, mas a proliferação de mísseis de alcance intermediário por parte dos Estados Unidos e seus aliados na região sim”. Ele acrescentou que a Rússia poderia posicionar mísseis balísticos Oreshnik e mísseis de cruzeiro Kalibr no seu extremo oriental, embora esse tipo de medida provavelmente seja adiado até o fim da guerra na Ucrânia.
Como se observa na imagem mencionada anteriormente, o alcance dos mísseis norte-americanos chega à costa oriental da Rússia. O principal motivo de apreensão em Moscou é que, dentro desse raio, está Vladivostok - a cidade mais relevante do país no Extremo Oriente. Além disso, o município abriga a maior base naval da Frota do Pacífico russa, funcionando como um centro militar estratégico de grande importância.
Além dos mísseis, o Japão está se rearmando?
O cenário regional indica aumento da atividade militar, sobretudo por parte da China, o que vem levando o Japão a fortalecer suas capacidades defensivas. No orçamento de defesa para 2026, o Ministério da Defesa anunciou a criação do sistema SHIELD (Synchronized, Hybrid, Integrated and Enhanced Littoral Defense), voltado a reforçar a defesa costeira por meio do uso coordenado de veículos não tripulados aéreos, navais e submarinos. O programa prevê investimento de 128.700 milhões de ienes - cerca de 850 milhões de dólares - e pretende integrar as operações dos três ramos das Forças de Autodefesa.
Em paralelo, a Sétima Frota dos EUA mantém presença contínua na região. O grupo de ataque do porta-aviões USS George Washington (CVN-73) participou recentemente de exercícios combinados com a Força Marítima de Autodefesa do Japão e realizou visita à Coreia do Sul como parte de sua rotação habitual. As manobras, conduzidas ao sul da ilha de Shikoku e no Mar da China Oriental, incluíram ações de defesa aérea e coordenação tática com navios japoneses e norte-americanos.
Apesar de as tensões diplomáticas com a Rússia continuarem, Tóquio reiterou que seguirá mantendo comunicação adequada com Moscou sobre pendências bilaterais. “Enquanto as relações entre Japão e Rússia continuam atravessando uma situação difícil, o Japão seguirá mantendo uma comunicação apropriada com a Rússia a respeito de diversos assuntos como países vizinhos”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores japonês.
Imagens meramente ilustrativas.
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