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Radiação natural em Melilla após 15 anos de monitorização

Homem analisa mapa térmico colorido de área urbana à beira-mar com material de trabalho sobre muro de pedra.

Melilla, cidade espanhola na costa do Norte de África, saiu de 15 anos de acompanhamento como um lugar com radiação natural mais baixa do que as médias de Espanha e do mundo.

Esse achado muda o mapa de risco do município, fazendo de um canto vulcânico a exceção que ajuda a explicar o conjunto.

Mapa silencioso da cidade

Em 27 amostras de solo e 47 medições de dose feitas em campo, um mesmo padrão voltou a aparecer em Melilla.

Com base nesses dados, o físico Jesús García Rubiano, da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria (ULPGC), acompanhou as leituras mais baixas em direção ao norte.

Os valores mais altos se concentraram perto do aeroporto e no extremo sudoeste, onde rochas vulcânicas trazem naturalmente mais urânio, tório e potássio.

Essa diferença entre norte e sul manteve a média da cidade em patamar reduzido e, ao mesmo tempo, destacou os pontos menores em que faz sentido intensificar verificações.

Radiação no solo de Melilla

No próprio solo, a equipa quantificou radioisótopos - formas instáveis de átomos que libertam radiação ao decaírem.

As concentrações médias chegaram a 22, 24 e 305 decaimentos por segundo em cada 1 kg de solo.

Esses valores ficaram abaixo das medianas globais e também abaixo das médias espanholas, indicando que, em geral, o terreno emite menos radiação natural do que seria esperado.

Ainda assim, os totais do solo não anulam a existência de pontos quentes locais; eles ajudam, porém, a entender por que o panorama mais amplo de Melilla permaneceu incomumente tranquilo.

Por que as rochas importam

Sob Melilla, dois tipos de substrato determinaram a separação entre bairros mais “quietos” e áreas com leituras mais elevadas.

Sedimentos carbonatados e depósitos trazidos por rios tendem a apresentar quantidades menores, por conterem menos elementos pesados que alimentam cadeias naturais de decaimento.

No sudoeste, depósitos vulcânicos empurraram os números para cima, sobretudo onde afloram rochas vulcânicas ricas em potássio nas proximidades do aeroporto.

É a geologia - e não algum incidente oculto - que explica por que uma ponta da cidade regista um pouco mais de radiação do que a outra.

Vestígios de precipitação radioativa

Um dos sinais mais nítidos não veio da rocha local, mas do césio-137, um vestígio radioativo deixado por precipitação radioativa do passado.

O solo florestado do norte reteve mais desse material, provavelmente porque menor movimentação do terreno e menos erosão permitiram que essas partículas ficassem no lugar.

Um segundo marcador, o chumbo-210, seguiu um padrão semelhante, mas também aumentou junto a áreas industriais e a depósitos de combustível.

Essas marcas de precipitação radioativa funcionam menos como alerta de saúde e mais como “impressão digital” de como vento, perda de solo e atividade humana redistribuem materiais.

As praias de Melilla definem a linha de base de radiação

Ao longo das praias de Melilla, as medições caíram para perto do fundo natural associado a raios cósmicos, oferecendo aos investigadores uma linha de base costeira limpa.

Mesmo assim, alguns trechos artificialmente alterados ainda mostraram variações, porque areia importada e materiais remanescentes de aterros podem trazer misturas minerais diferentes.

Estabelecer essa linha de base é relevante numa cidade portuária junto ao Estreito de Gibraltar, onde o tráfego intenso de navios e a indústria regional tornam mais complexos futuros alertas de contaminação.

Com a linha de base definida, os investigadores da ULPGC conseguem identificar picos posteriores, em vez de os diluir na variabilidade costeira considerada normal.

Dose ao longo dos anos

Ao converter as leituras do solo em radiação gama - raios de alta energia libertados durante o decaimento atómico -, a equipa ainda assim encontrou uma dose média externa baixa.

As medições em 47 pontos indicaram uma taxa média de dose terrestre de 47 nanogray por hora, embora áreas vulcânicas tenham subido até 172.

A dose efetiva anual estimada para Melilla ficou em 0.23 milissieverts, e o risco de cancro ao longo da vida permaneceu abaixo das médias globais.

Com médias tão baixas, o levantamento se lê menos como um alarme e mais como um guia para decidir onde verificações mais próximas devem ocorrer.

O radão acompanha o terreno

Dentro de casa, a questão mais sensível envolve o radão, um gás radioativo que sobe a partir do solo e pode acumular-se no interior das construções.

Uma diretiva europeia estabeleceu como referência para o radão interior 300 decaimentos por segundo em cerca de 1 m³ de ar.

Em Melilla, 70.5 percent da área urbana entrou na categoria mais baixa, deixando aproximadamente 2,787 edifícios nas zonas de vigilância.

Essa divisão não prova níveis elevados em ambientes internos, mas indica onde as medições devem começar.

O que o mapa não capta

Mapas desse tipo são valiosos, mas não medem o que uma família específica realmente respira dentro de um cômodo.

Ventilação, fissuras no piso, tipo de construção e hábitos do dia a dia podem aumentar ou reduzir a acumulação interna, mesmo na mesma rua.

Depois de inaladas, partículas do decaimento do radão podem danificar o ADN das células das vias aéreas, razão pela qual o gás importa muito além da geologia.

Órgãos de saúde estimam que o radão provoque entre três e 14 percent dos cancros do pulmão, e fumantes enfrentam 25 times o risco.

Por que a radiação em Melilla importa

Para uma cidade compacta, espremida entre o mar, passagens de fronteira e edificações mais antigas, um mapa confiável de radiação é mais do que curiosidade.

Anos antes deste artigo, reportagens locais já descreviam Melilla como uma das regiões com menores níveis de radiação natural em Espanha.

A radiação natural permanece como parte constante do ambiente, presente no solo, no ar e em materiais de construção.

Agora, esse entendimento se apoia num mapeamento detalhado que ajuda inspetores, planeadores e moradores a direcionarem a atenção ao sudoeste.

Após 15 anos de amostragem, Melilla aparece como um local de baixa radiação ambiental média, com exceções bem marcadas e diretamente ligadas à geologia.

O próximo passo é direto: medir em ambientes internos nos pontos quentes do sudoeste, atualizar a linha de base das praias e usar o levantamento da ULPGC para orientar as ações.

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