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Corais centenários documentados em montanha submarina não estudada no Pacífico Sul

Mergulhador com lanterna explorando recife de coral com equipamentos científicos e peixes pequenos ao redor.

Cientistas registraram corais centenários e formas frágeis de vida de águas profundas numa montanha submarina do Pacífico Sul que ainda não havia sido examinada.

O local, agora descrito com base em evidências diretas, muda o enquadramento da área para um ecossistema com necessidade de proteção e aumenta, de imediato, o peso da decisão sobre a eventual volta da pesca industrial.

Câmaras revelam vida de coral

Imagens captadas numa montanha submarina profunda mostraram aglomerados densos de corais, esponjas e outros organismos surgindo do fundo do mar.

Ao interpretar esse material, a ativista Ellie Hooper, da Greenpeace Aotearoa, e a sua equipa reuniram indícios que alcançam o patamar exigido para uma proteção formal.

Dentro de uma área de levantamento limitada, foram contabilizados 350 organismos individuais - muitos já com mais de 100 anos e alguns com altura considerável.

Como apenas uma fração da montanha submarina foi observada até agora, o tamanho real deste ecossistema segue indefinido, enquanto cresce a pressão sobre qual será o seu futuro uso.

Por que a classificação importa

A designação de “ecossistema marinho vulnerável” refere-se a um habitat delicado, de recuperação muito lenta, e pode levar os gestores a manter embarcações de arrasto afastadas.

Para classificar o local, os cientistas aplicaram uma estrutura revisada por pares, baseada em critérios internacionais padrão de proteção.

Em 94 imagens analisadas, 73 continham animais indicadores; e, dessas, 33 imagens - 45,2% - ultrapassaram o limiar formal.

Como o levantamento abrangeu apenas parte das imagens disponíveis, os dados parecem cautelosos, e não exagerados.

Impacto do arrasto de fundo nos corais

No arrasto de fundo, redes pesadas são puxadas sobre o leito marinho, e as portas e os cabos do equipamento podem partir corais e remover esponjas.

Esses animais funcionam como estruturas vivas; quando o aparelho os esmaga, peixes e invertebrados menores perdem abrigo e superfícies para se alimentar.

A recuperação é arrastada porque corais de profundidade ganham altura lentamente - e algumas colónias observadas neste levantamento já tinham passado da marca de 100 anos.

Uma única passagem pode, portanto, apagar crescimento acumulado ao longo de décadas a séculos, motivo pelo qual reguladores tratam esses habitats de forma distinta.

Por que montanhas submarinas concentram tanta vida

Essas comunidades prosperam numa montanha submarina: uma elevação submersa que interfere nas correntes e expõe rocha dura, facilitando a fixação.

À medida que a água acelera ao subir a encosta, o fluxo rico em alimento alcança corais e esponjas que se alimentam filtrando presas minúsculas à deriva.

Levantamentos anteriores já indicavam que a região chamada Lord Howe Rise - um planalto submerso entre a Austrália e a Nova Zelândia - é biologicamente rica.

O que mudou agora não foi a ideia em si, mas a primeira comprovação direta obtida nessa montanha submarina até então não amostrada.

O que acionou a proteção

A disputa ganhou urgência em 2024, quando um arrasteiro trouxe à tona 82 libras (37 quilogramas) de coral numa única passada.

Pela regra atual, um encontro grande desse tipo pode gerar uma suspensão imediata, enquanto cientistas avaliam a área ao redor.

Aquele episódio foi relevante porque a captura acessória - animais recolhidos junto com o peixe-alvo - indicou o que a rede atingiu, enquanto as câmaras mostraram o que permaneceu no fundo.

Com as duas linhas de evidência agora registradas, reabrir a área tornou-se uma escolha política muito mais difícil.

Debate sobre limites de pesca

A Nova Zelândia chegou à reunião de março com uma proposta para aumentar alguns limiares de encontro com corais.

Autoridades argumentaram que a pescaria hoje é pequena, com cerca de 1.100 toneladas (998 toneladas métricas) alocadas e apenas um ou dois navios em atividade.

“Agora estamos munidos da prova de que precisávamos de que o arrasto de fundo deve ser proibido aqui”, disse Hooper, enquanto a Greenpeace respondia com imagens diretas.

O impasse, neste momento, é saber se um esforço de pesca reduzido realmente significa risco baixo, quando os organismos em questão levaram uma vida inteira para crescer.

Por que a idade do coral conta

A idade importa porque corais antigos não são apenas animais mais velhos; eles formam habitats que se constroem lentamente, camada por camada.

Os pesquisadores estimaram a idade pela altura das colónias - um método prático, já que corais de águas profundas mais altos normalmente refletem muitos anos de crescimento.

Algumas colónias ficaram bem acima das linhas de limiar de 100 anos usadas na análise, especialmente entre corais-bambu, corais-negros e corais pétreos.

Esse relógio longo é o verdadeiro ponto em jogo: a destruição ocorre em minutos, mas a reconstrução pode ultrapassar ciclos de planeamento humanos.

Lacunas na pesquisa

Uma montanha submarina avaliada não representa todo o planalto, e a equipa amostrou apenas parte de uma área de fechamento.

Ainda assim, essa limitação funciona nos dois sentidos: mesmo com uma amostra pequena, já apareceram conjuntos densos e antigos em locais próximos de onde o arrasto operou.

O relatório completo da expedição deve chegar ao comité científico em setembro de 2026, quando o encontro que levou à suspensão voltará a ser analisado.

Mais tempo de câmara pode ampliar o mapeamento, mas é improvável que faça este local candidato parecer menos sensível.

O que a proteção significa

Um fechamento permanente não vai reconstruir os corais já danificados, mas impedirá que novos equipamentos voltem a moer o mesmo habitat.

Também dará aos gestores um teste mais limpo de recuperação, porque menos marcas recentes tornam levantamentos futuros mais fáceis de interpretar.

Para quem está longe do Pacífico Sul, isso pode soar distante; ainda assim, trata-se de regras para águas que pertencem a todos.

O que acontece numa única crista pode, portanto, indicar aos reguladores se promessas de proteção em alto-mar funcionam quando vida antiga e redes ativas entram em choque.

Futuro da montanha submarina

A descoberta confirma que existe uma comunidade de corais numa área em que a pesca ainda tenta obter acesso.

Se os reguladores levarem essa prova a sério, uma pequena montanha submarina pode virar um teste sobre se as regras de proteção de águas profundas valem alguma coisa.

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