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A L3Harris marcou presença na Eurosatory 2026 exibindo um portfólio alinhado às demandas atuais do combate: visão noturna acessível em grande escala e resposta distribuída, de baixo custo, contra a ameaça de drones. Nesta edição do tradicional evento de defesa e segurança em Paris, a empresa - referência mundial em comunicações táticas e sistemas de imageamento - levou dois destaques: o NOVA, seu novo binocular de visão noturna, e o Wraith Shield, uma atualização de software que converte rádios da família Falcon IV em nós de um sistema C-UAS portátil e inteligente.
A Zona Militar entrevistou Kevin Steubing, vice-presidente de vendas e negócios internacionais, e Brenna Baker, presidente de Soluções Integradas de Visão da L3Harris Technologies. Eles compartilharam as principais novidades sobre os NVG NOVA, o C-UAS Wraith Shield e as expectativas da companhia na Eurosatory 2026.
NOVA: o binocular de visão noturna para toda a força
O NOVA é o mais novo óculos de visão noturna da L3Harris e chega como desdobramento comercial do trabalho conduzido pela empresa no programa BiNOD (Binocular Night Observation Device) do Exército dos Estados Unidos.
Origem no BiNOD e seleção pelo Exército dos Estados Unidos
O desenvolvimento começou em 2021 com um propósito bem definido: substituir sistemas monoculares do tipo legado por uma plataforma binocular de custo reduzido, capaz de ser distribuída em grande quantidade. Em abril de 2026, o Exército dos Estados Unidos selecionou o NOVA dentro desse programa, concedendo à L3Harris um contrato de até USD 465 milhões ao longo de sete anos para a produção.
Arquitetura, tubos Gen 3 e resistência IP68
O projeto do NOVA se baseia em uma arquitetura de tubo integrado, pensada para simplificar a manutenção e ampliar a vida útil do equipamento. O sistema emprega tubos intensificadores de imagem Gen 3 sem película (unfilmed) de alto ganho, com função antiofuscamento (anti-bloom) nas variantes de menor ganho. A carcaça atende ao padrão IP68 de resistência à imersão, e o conjunto traz desligamento automático quando é dobrado em configuração monocular ou binocular.
Desempenho em campo e redução de carga logística
Ao adotar um desenho binocular, o NOVA melhora a percepção de profundidade, ajudando o militar a se deslocar e manobrar com mais eficiência no terreno. Além disso, o iluminador integrado assegura a detecção de ameaças em cenários de luminosidade extremamente baixa - tudo em um pacote mais leve, o que faz diferença para quem precisa permanecer por horas em operação.
O NOVA também foi concebido para reduzir a carga logística e de manutenção, oferecendo uma configuração que pode ser ajustada às condições operacionais no momento dos trabalhos de calibração e acerto. A L3Harris ainda conseguiu simplificar aspectos do desenho do NOVA, diminuindo a necessidade de pessoal altamente especializado para manter o sistema.
A L3Harris coloca o NOVA como complemento aos seus sistemas de faixa superior - GPNG, ENVG-B e BNVD - direcionados a tropas de operações especiais e a unidades especializadas em ações diretas. Ao incluir o NOVA no portfólio, a empresa mira os segmentos que compõem o restante da estrutura de força: o soldado, o agente de patrulha de fronteira ou o oficial tático que hoje não dispõe de visão noturna de qualidade.
Com mais de 20.000 unidades ENVG-B entregues ao Exército dos Estados Unidos, e com as primeiras entregas do NOVA previstas para o quarto trimestre de 2026, a L3Harris reforça e continua ampliando sua posição como fornecedora de referência em visão noturna para forças ocidentais.
Wraith Shield, proteção C-UAS tática
O Wraith Shield parte de uma ideia considerada disruptiva: transformar a família de rádios táticas Falcon IV - com mais de 100.000 unidades em serviço em forças dos Estados Unidos, da OTAN, do Five Eyes e de aliados - em nós de um sistema C-UAS portátil, sem exigir qualquer hardware adicional. Essa capacidade é habilitada por uma atualização de software da forma de onda Wraith, desenvolvida entre 2022 e 2023 com participação significativa da Ucrânia.
DataShapes AI GlobalEdge e processamento no “edge” tático
O funcionamento ocorre em parceria com a DataShapes AI: sua plataforma GlobalEdge converte os dados de radiofrequência (RF) captados pelas rádios em inteligência acionável em tempo real, diretamente no “edge” tático, sem depender de servidores em nuvem ou de processamento centralizado.
Como o Wraith Shield usa a rede Falcon IV para bloquear drones
Na prática, o processo segue esta lógica: a rádio já faz varredura do espectro para identificar outras rádios aliadas usando Wraith e, com isso, estabelece uma rede ad hoc local. O Wraith Shield acrescenta a capacidade de reconhecer os sinais que o adversário utiliza para comandar seus drones, distribuir essa informação dentro da rede local e coordenar todas as rádios conectadas para emitir ruído branco no mesmo canal, interferindo no enlace de controle.
Plataformas compatíveis e evolução prevista para 2026
A versão atual do Wraith Shield consegue coordenar o bloqueio simultâneo a partir de 40 rádios Falcon ao mesmo tempo - quantidade suficiente para equipar um pelotão de infantaria -, com a meta de chegar a 100 rádios em uma atualização futura. A primeira plataforma de implantação é a rádio compacta RF-9820S (AN/PRC-171), e uma versão embarcada para a RF-9820S-ER está prevista para mais adiante em 2026.
O sistema também será oferecido como atualização para outras rádios compatíveis com Wraith, incluindo AN/PRC-158C, AN/PRC-163 e AN/PRC-167. O Wraith Shield foi pensado para compor uma defesa em camadas: enquanto neutraliza drones pequenos com enlaces de comando comerciais, soluções de maior porte como o VAMPIRE e o Drone Guardian, também da L3Harris, focam em ameaças maiores.
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