PS cobra posicionamento imediato do ministro da Educação sobre os exames nacionais
O PS pediu neste sábado ao ministro da Educação que “não perca nem mais uma hora” e vá a público “dar uma palavra de tranquilidade” e oferecer garantias a estudantes e famílias, depois das recentes polêmicas envolvendo os exames nacionais.
Em declarações à Lusa, o deputado socialista Porfírio Silva destacou que o país atravessa um período de provas em que “dezenas de milhares de famílias estão preocupadas com a sucessão de notícias que têm vindo a público sobre incidentes vários no processo de exames nacionais”.
Pressão e ansiedade de estudantes e famílias
Segundo Porfírio Silva, trata-se de um momento em que estudantes e famílias já convivem com “muita pressão” e “muita ansiedade”. Por isso, considerou essencial que o Governo transmita “uma palavra de tranquilidade sustentada e de garantia” de que o processo vai seguir “sem mais perturbações e será concluído em devidas condições”.
O deputado acrescentou ainda que o PS tem recebido mensagens “de todo o país” de pessoas apreensivas com a condução dos exames nacionais.
Avaliação política ficará para audiência no Parlamento em 1 de julho
O parlamentar afirmou que, por enquanto, o Grupo Parlamentar do PS não pretende “entrar no escrutínio” político do processo. Essa avaliação, disse, ficará para uma audiência do ministro da Educação no Parlamento, marcada para 1 de julho.
Ainda assim, pediu que Fernando Alexandre se manifeste antes dessa data. “O senhor ministro da Educação não pode perder nem mais uma hora para dar uma palavra de tranquilidade aos estudantes e às famílias sobre o processo dos exames de ensino secundário, que como sabemos implicam diretamente com o acesso ao ensino superior”, afirmou.
Questionado sobre quais garantias concretas deveriam ser apresentadas, Porfírio Silva voltou a remeter o tema para o escrutínio na audiência parlamentar da próxima semana. Também salientou que ainda não se sabe “exatamente o que é que está a acontecer”, embora existam “muitos indicadores de que há várias coisas que não estão a correr como deviam”.
Polêmica no exame nacional de Português e parecer do EduQA
A controvérsia começou com o item de desenvolvimento do exame nacional do ensino secundário de Português, que era igual ao de um manual publicado pela Leya em agosto de 2025. A situação levou vários professores a alertarem para o risco de isso poder favorecer alunos que tiveram acesso ao manual.
Em 19 de junho, foi divulgado um parecer assinado pela presidente do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), Ana Cristina Cortesão Casimiro, no qual se rejeita que a pergunta tenha violado o princípio da equidade ou beneficiado estudantes que já a haviam treinado.
No entanto, o jornal Público noticiou hoje que esse parecer, disponibilizado pelo Ministério da Educação, teria sido redigido à revelia dos conselheiros científicos do EduQA.
Entraves na nova correção digital e ajuste de calendário
Além desse tema, a nova classificação digital dos exames vem registrando entraves. Professores relatam atrasos na distribuição das credenciais de acesso às provas, o que levou o Júri Nacional de Exames a ajustar o calendário de correção.
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