Água nos PSRs do polo sul da Lua: por que o recurso é decisivo
A água presente em regiões permanentemente sombreadas (PSRs) no polo sul da Lua é um recurso crucial para viabilizar uma presença humana contínua no satélite. Ainda assim, apesar de já existirem evidências de gelo de água, o volume exato disponível continua incerto. Para avançar de estimativas amplas para informações realmente úteis em cenários de extração, a Blue Origin apresentou a missão Oasis-1 durante a Lunar and Planetary Science Conference (LPSC).
Como a missão Oasis-1 será montada e qual órbita vai usar
A Oasis-1 foi concebida como uma missão com dois pequenos satélites, liberados a partir do módulo de pouso não tripulado MK1, da própria Blue Origin. Depois da separação, os satélites seguirão para uma órbita polar altamente elíptica, com um pericentro de apenas 10 km acima do polo sul lunar.
Instrumentos da Oasis-1: água, magnetismo e hélio-3
Para obter dados com mais detalhe, cada satélite levará três instrumentos.
O primeiro é um espectrômetro híbrido de raios gama e nêutrons (GRNS), capaz de identificar água até 1 metro de profundidade. A órbita baixa planejada para a Oasis-1 permitirá alcançar uma resolução de cerca de 15 km por pixel - um ganho de 9 vezes em relação aos dados atualmente disponíveis.
O segundo instrumento é um magnetômetro, que fará o mapeamento de anomalias magnéticas da crosta com resolução de 15–30 km por pixel. Além de apoiar estudos científicos, essas medições também podem contribuir para estimar a localização de metais valiosos do grupo da platina.
O terceiro instrumento é um multiespectrômetro voltado à busca de hélio-3, um isótopo raro que pode vir a ser usado no futuro em reatores de fusão. Esse sensor entregará resolução inferior a 5 m por pixel.
Operação, modelo de negócio e etapas seguintes
A fase ativa da missão deverá durar 90 dias, seguida por um período de 10 dias de desorbitagem controlada. Nessa etapa final, os instrumentos vão operar no limite para coletar dados em altitudes ultrabaixas, antes do impacto com a superfície da Lua.
Um ponto de destaque é a proposta comercial. A Blue Origin pretende licenciar mapas com dados de recursos para outras empresas do setor, reduzindo riscos e elevando a confiança de investidores. Já as informações sem valor comercial serão divulgadas por meio do European Space Resources Innovation Centre (ESRIC).
A Oasis-1 é apresentada como a primeira fase da Oasis Campaign, um programa em três etapas. A segunda fase prevê a implantação de sistemas móveis na superfície lunar para um mapeamento ainda mais detalhado, enquanto a terceira fase corresponde ao início da extração de recursos. Essa iniciativa também complementa o projeto Blue Alchemist, focado em fabricar componentes usando recursos da Lua.
Lançamento previsto para 2027–2028
O lançamento da Oasis-1 é esperado para o fim de 2027 ou o começo de 2028. Se a missão alcançar seus objetivos, ela representará um passo relevante rumo à construção de uma infraestrutura sustentável na Lua.
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