Kelly Ortberg assumiu o comando da Boeing há 22 meses e, desde então, mantém seu escritório no Centro de Entregas da empresa em Seattle. A partir dali, ele acompanha de perto o ritmo da produção e mantém contato direto com as equipes. Em entrevista à Aviation Week, Ortberg comentou o andamento dos programas, as intenções para novos aviões e os principais obstáculos no caminho.
Kelly Ortberg e a liderança da Boeing a partir de Seattle
Segundo o executivo, a decisão de ficar baseado no Centro de Entregas em Seattle tem permitido observar o chão de fábrica com mais proximidade e reforçar a interação com os times responsáveis pela execução diária.
Produção do 737 e do 787: aumento gradual sem abrir mão da qualidade
Ortberg disse estar satisfeito com a evolução no aumento de cadência do 737, que passou de 38 para 42 e, agora, para 47 unidades por mês. No horizonte, a empresa segue com a meta de chegar a 63 unidades mensais.
Ele ressaltou, porém, que a prioridade continua sendo sustentar a qualidade: a empresa evita acelerar em excesso para não colocar em risco os padrões estabelecidos.
No 787, a produção está na casa de oito aeronaves por mês. O plano é chegar a 10 em 2027 e a 12 em 2028, levando em conta limitações da cadeia de suprimentos - com destaque para dificuldades ligadas à entrega de motores.
Programas em certificação e o próximo avião de corredor único
Sobre o futuro avião de corredor único, Ortberg explicou que, no momento, o mercado parece mais concentrado em melhorar o desempenho dos motores atuais do que em puxar o lançamento de modelos totalmente novos.
Ainda assim, a Boeing avalia diferentes configurações e avanços tecnológicos, incluindo formas de tornar os processos industriais mais eficientes. A empresa, porém, não pretende colocar um novo modelo no mercado antes que exista demanda suficiente e que a organização esteja pronta para executá-lo.
Nesse contexto, o diretor-presidente reconheceu que a entrada em serviço do próximo avião provavelmente ficará para depois de 2030, considerando o estágio de maturidade do mercado e da tecnologia.
Ortberg também afirmou que a certificação do 777X está avançando, mas não deve ser concluída antes de 2027, embora testes importantes já tenham sido realizados. No caso do 737-7 e do 737-10, a campanha de testes em voo está perto do fim, e as entregas devem começar ainda neste ano.
Por fim, ele destacou que a Boeing vem passando por mudanças culturais rápidas, com melhora relevante em pesquisas internas de satisfação e um foco renovado em qualidade e segurança. Transparência e colaboração entre equipes seguem como prioridades, e Ortberg acredita que a evolução está acontecendo mais depressa do que ele próprio imaginava.
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