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FAA emite novas Diretrizes de Aeronavegabilidade por risco do 5G a radioaltímetros da Boeing no espaço aéreo canadense

Dois pilotos no cockpit de avião, um segurando o manche, com vista para pista e torre ao fundo.

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) divulgou nesta quinta-feira (26) três novas Diretrizes de Aeronavegabilidade (ADs) que determinam restrições operacionais para diversos aviões da Boeing, diante do risco de interferência de redes 5G nos radioaltímetros durante voos no espaço aéreo canadense.

O que motivou as Diretrizes de Aeronavegabilidade da FAA sobre 5G e radioaltímetros

De acordo com a FAA, radioaltímetros que funcionam na faixa de 4,2 a 4,4 GHz podem deixar de ser confiáveis se forem afetados por emissões de 5G que utilizam a banda C inferior, entre 3,7 e 3,98 GHz, quando a aeronave estiver em operações em território canadense - como reportou o portal Aviacionline, parceiro do AEROIN.

As medidas passam a valer em 1º de julho de 2026, mesma data em que o Canadá encerrará as zonas de exclusão e de proteção para redes 5G no entorno de aeroportos. Com a mudança regulatória, somente aeronaves com radioaltímetros considerados “tolerantes” à interferência poderão operar sem limitações adicionais.

AD 2026-13-10, AD 2026-13-11 e AD 2026-13-13: aeronaves Boeing abrangidas

As novas diretrizes - AD 2026-13-10, AD 2026-13-11 e AD 2026-13-13 - incluem os Boeing 747-8/-8F, 777, 787-8/-9/-10 e a maior parte da família 737. Ficam fora, porém, alguns 737-200/-200C da série Classic que tenham o sistema de controle de voo SP-77.

Para aeronaves que não contam com radioaltímetros certificados como tolerantes, a FAA determinou que os operadores revisem, antes de qualquer operação no espaço aéreo canadense, as limitações e, em determinados casos, os procedimentos operacionais descritos no Manual de Voo da Aeronave (AFM).

Restrições operacionais por modelo (747, 777, 787 e 737)

As limitações impostas variam conforme o avião.

Nos Boeing 747 e 777, operadores ficam impedidos de despachar voos para aeroportos no Canadá e também de efetuar pousos no país quando a aeronave não estiver adaptada.

Para os Boeing 787, passam a existir restrições ligadas a itens da Lista de Equipamentos Mínimos (MEL) envolvendo sistemas de freios e antideslizamento. Além disso, fica proibido pousar em pistas com código de condição 1 ou 0, e passam a ser exigidos procedimentos específicos para cálculo de distância de pouso e para operação manual de reversores, speedbrakes e autothrottle.

Já nos Boeing 737 contemplados pela nova diretriz, foram definidas limitações e procedimentos adicionais relacionados a aproximações ILS, acionamento dos speedbrakes, arremetidas e procedimentos de aproximação perdida.

As aeronaves equipadas com radioaltímetros que atendem aos critérios de tolerância estabelecidos pela FAA não precisarão observar essas restrições. Segundo a agência, a modernização dos equipamentos elimina as limitações operacionais previstas nas novas diretrizes.

Contexto regulatório no Canadá e acompanhamento pela FAA

As novas ADs integram a resposta contínua da FAA aos riscos de interferência entre redes 5G e radioaltímetros - assunto que já levou à publicação de diversas diretrizes nos Estados Unidos entre 2021 e 2023. No caso do Canadá, a adoção das regras está ligada a mudanças regulatórias implementadas pelo Innovation, Science and Economic Development Canada (ISED).

A FAA também afirmou que as restrições são provisórias enquanto monitora os efeitos das alterações regulatórias canadenses. Companhias que operam rotineiramente voos para o país deverão mapear quais aeronaves de suas frotas possuem radioaltímetros tolerantes à interferência e analisar possíveis atualizações de equipamentos para reduzir impactos nas operações.

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