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Criatividade é economia em Portugal: a diferença está no significado

Três jovens discutindo projetos de design gráfico em escritório com decoração clara e janelas amplas.

Uma ideia antiga que ainda persiste

Em Portugal, continua viva uma noção teimosa: a de que criatividade fica restrita ao campo da cultura, enquanto economia se resume ao que sai das fábricas - como se fossem universos que quase nunca se tocam.

Só que a realidade de hoje é outra. Criatividade também é economia.

Do produto ao significado: marca, identidade e história

Quando alguém compra um relógio, um carro, um vinho ou um suéter, na maioria das vezes não está levando apenas aquele objeto. Leva junto uma marca, uma identidade, uma narrativa. É isso que ajuda a entender por que duas empresas conseguem fabricar com o mesmo nível de exigência e, ainda assim, gerar valores totalmente diferentes. A diferença não está na linha de produção. Está no significado.

Portugal sempre demonstrou que sabe fazer bem. O setor têxtil, o calçado, o mobiliário, a área de alimentos e bebidas e, mais recentemente, muitas empresas de tecnologia são prova disso. A questão já não é dominar a produção. É transformar essa competência em distinção.

Criatividade como vantagem competitiva (e não como luxo)

É aí que a criatividade entra: não como um privilégio das indústrias criativas, e sim como um instrumento direto de competitividade. Design, marca, experiência do cliente e propriedade intelectual não são detalhes. Tudo isso faz parte do produto.

O Portugal Fashion voltou a evidenciar isso há alguns dias. Para além dos desfiles, mostrou como a criatividade consegue conectar criadores, indústria e mercados internacionais. A moda é apenas um caso. A mesma lógica aparece na tecnologia, na alimentação, no turismo e no mobiliário. Quem adiciona identidade ao que faz acaba adicionando valor.

A oportunidade para a competitividade em Portugal

Talvez esteja aqui uma das grandes oportunidades da economia portuguesa. Durante anos, com razão, o foco foi produzir melhor. Agora, é preciso criar melhor. Disputar mercado pelo preço tende a ser uma corrida ingrata, porque sempre haverá alguém fazendo mais barato. Já competir por originalidade e por marca é muito mais sustentável.

Políticas públicas e uma nova geração de empresários

As políticas públicas também precisam acompanhar essa virada. Ainda tratamos indústria, inovação e cultura como compartimentos isolados. Não são. Quanto mais aproximarmos essas áreas, mais as empresas crescem, se internacionalizam e mantêm valor aqui no país.

Uma nova geração de empresários já entendeu isso. Não quer somente vender produtos: quer construir marcas. Não quer apenas exportar: quer ser reconhecida. Essa ambição merece apoio.

Por tempo demais, perguntamos como produzir mais. Talvez seja hora de trocar a pergunta: como criar mais valor?

É dessa resposta que depende uma parte importante da nossa competitividade nas próximas décadas.

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