A C12 acaba de atingir um marco discreto, porém determinante. A startup de Paris agora consegue montar seus chips quânticos 12 vezes mais rápido do que há um ano - uma validação concreta de uma tecnologia patenteada e singular no mundo.
Para ter uma ideia da escala do desafio: é como posicionar um fio de cabelo sobre uma área do tamanho de Paris, com margem de erro de apenas algumas ruas. No universo nanométrico, é esse o nível de precisão que a C12 enfrenta sempre que monta um de seus processadores quânticos.
Nanotubos de carbono: a aposta da C12 desde 2020
Enquanto grande parte do ecossistema de computação quântica aposta em qubits supercondutores ou em átomos aprisionados, a C12 escolheu outro caminho desde a fundação, em 2020: produzir qubits a partir de nanotubos de carbono. Esses cilindros moleculares são 100 000 vezes mais finos do que um fio de cabelo humano.
A abordagem, nascida em pesquisas ligadas aos laboratórios da École normale supérieure, é única no mundo e, em teoria, tende a entregar qubits mais estáveis - o que significa menos erros de cálculo.
Pick & Place da C12: nano montagem patenteada em escala de qubit
O gargalo, até aqui, estava na produção em escala. Transformar essa ideia em chips fabricáveis de forma consistente era um quebra-cabeça. Foi nesse contexto que, em junho passado, a empresa anunciou o Pick & Place: um processo patenteado de nano montagem criado integralmente dentro da própria C12 e pensado para mudar o ritmo de fabricação de suas peças.
Na prática, o método permite transferir nanotubos de carbono individuais para chips de silício com precisão micrométrica, seja em vácuo, seja em atmosfera inerte. O ponto mais decisivo é a etapa de pré-seleção: antes de ser integrado, cada nanotubo passa por uma qualificação elétrica. Hoje, a C12 afirma ser a única empresa no mundo capaz de realizar essa operação diretamente na escala do qubit.
Os números já mostram o impacto. Em 4 semanas, a C12 montou 50 dispositivos - um volume que, antes, levaria todo o ano de 2025 para ser atingido.
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Um salto industrial maior
Até então, o crescimento dos nanotubos e a fabricação dos chips eram etapas acopladas, o que limitava a flexibilidade do processo. Ao separar essas fases, a C12 ganha modularidade e passa a escolher os melhores nanotubos antes da integração - e não apenas depois.
A chamada chip de Alta Densidade é um exemplo direto desse avanço. Ela reúne 17 dispositivos quânticos no mesmo chip, o melhor resultado já alcançado pela C12, e demonstra que montar vários nanotubos com precisão e repetibilidade já é viável em série. Além disso, o processo está parcialmente automatizado, abrindo espaço para aumentar a cadência de produção de forma gradual.
A C12 ainda não fabrica processadores quânticos em massa - mas, na prática, ninguém fabrica; a diferença é que a empresa está estruturando as bases industriais para chegar lá.
Roteiro bem definido
Esse progresso se encaixa em um roteiro tecnológico que prevê quatro gerações de processadores. O objetivo final é ultrapassar os 100 000 qubits físicos, com integração direta em um centro de dados. Trata-se de uma meta ambiciosa, cuja credibilidade depende de um requisito incontornável: conseguir fabricar esses chips de modo confiável e reprodutível. É exatamente nessa direção que o Pick & Place avança.
Criada em 2020, a C12 tem hoje mais de 60 colaboradores e já captou mais de 25 milhões de euros. Recentemente, a empresa também contratou Julien Sarry, ex-Apple, justamente para acelerar a industrialização.
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