O Citroën ë-C4 X agora consegue ir mais longe e também ser mais rápido. Será que é (só) disso que os elétricos precisam?
Dentro do enorme grupo Stellantis, a marca do duplo chevron às vezes parece ficar em segundo plano - afinal, são 14 marcas para administrar. A linha de modelos está um pouco envelhecida e ainda carece de variedade, embora esse quadro comece a mudar.
Além da chegada iminente do novo e inédito ë-C3, a Citroën também vem atualizando e reforçando carros que já estavam à venda. O Citroën ë-C4 X é um bom exemplo disso.
O sedã com pegada de SUV recebeu uma pequena atualização no conjunto elétrico: agora passa a contar com uma bateria de maior capacidade - 54 kWh “brutos” no lugar dos 50 kWh da versão anterior. A mudança está na composição dos “ingredientes” da bateria, com mais níquel - sobe de 60% para 80% - e, em contrapartida, menos manganês e cobalto (os dois caem de 20% para 10%).
O motor também ganhou 15 kW (20 cv), elevando a potência máxima para 115 kW (156 cv) nesta nova versão 400. Segundo a marca francesa, agora ele é um motor elétrico síncrono híbrido (HSM) em vez do síncrono de ímãs permanentes, que continua em uso na versão 350.
Já a potência de recarga (até 100 kW) segue discreta, o que se traduz em tempos de carregamento mais longos do que os observados em vários concorrentes potenciais do ë-C4 X.
O que muda em relação ao ë-C4?
A base é a plataforma e-CMP, e o Citroën ë-C4 X é estruturalmente igual ao ë-C4, mudando pouco além do terceiro volume mais alongado. Esse ajuste adiciona 24 cm ao comprimento e, por consequência, entrega um porta-malas maior, com 510 L (contra 380 L no C4).
O porta-malas é bem profundo, mas não oferece um compartimento inferior aproveitável, não traz ganchos para prender bagagens e passa uma sensação geral de acabamento apenas mediana. Soma-se a isso um degrau alto entre a abertura e o plano de carga, além de outro desnível que aparece no próprio piso quando os encostos do banco traseiro são rebatidos.
Visual geral já mostra a idade
Essa percepção combina com o painel, cuja arquitetura já denuncia o passar do tempo. Em compensação, há um ponto a favor: os comandos do ar-condicionado seguem físicos e separados, sem obrigar o motorista a navegar por menus na tela de 10” do sistema multimídia.
Vale destacar ainda o porta-luvas duplo, embora construído com plásticos simples e de toque duro.
Também soam ultrapassados os gráficos do sistema multimídia e do quadro de instrumentos - que usa uma pequena tela de 5,5″ - e até as imagens exibidas pela câmera de ré. Outro detalhe: o sistema “head-up display” projeta as informações em uma lâmina, e não no para-brisa, como ocorre em soluções mais sofisticadas.
O celular pode ser recarregado por indução em uma bandeja e também conectado ao carro sem fios, tanto via Apple CarPlay quanto Android Auto (ainda assim, há portas USB-A e USB-C para essa função ou para recarga).
Em espaço interno, o carro vai bem: é possível levar até três adultos na segunda fileira, com boa área para as pernas e folga para a cabeça.
Por outro lado, é uma pena a presença de um túnel central no assoalho - algo que, nos elétricos atuais, costuma aparecer apenas quando a plataforma é compartilhada com versões a combustão, como acontece aqui. As saídas de ar traseiras permitem apenas direcionar o fluxo, sem ajuste de temperatura ou de intensidade.
Conforto como grande trunfo
O chassi adota suspensão dianteira independente e traseira por eixo de torção, com a particularidade de trazer batentes hidráulicos nas torres de suspensão.
Esse conjunto faz do ë-C4 X um dos modelos mais confortáveis do segmento, com ótima capacidade de absorver irregularidades do asfalto - inclusive aquelas que exigem maior curso vertical das rodas.
Na prática, os amortecedores se comportam como os convencionais quando o deslocamento vertical é pequeno. Porém, quando a movimentação aumenta, o êmbolo interno se desloca até os extremos para comprimir as molas, que passam a conter o movimento de forma progressiva.
Mesmo com esse nível de conforto, a inclinação da carroceria em curvas não chega a ser exagerada. Outro ponto bem positivo é o isolamento acústico do habitáculo, que chega a surpreender.
Dinâmica não empolga
No geral, porém, o comportamento dinâmico do Citroën ë-C4 X deixa a desejar. As respostas aos comandos do volante são lentas e a direção é “vaga” e leve demais - quase sem mudanças entre os diferentes modos de condução.
Só no modo Sport o desempenho fica mais “expedito”, o que acaba fazendo dele o programa mais apropriado para este modelo de proposta familiar quando se roda com passageiros na frente e atrás. Com o modo “Eco” selecionado, o limite de potência e torque deixa o carro bem lento, e o modo “Normal” só faz sentido quando o motorista viaja sozinho.
A velocidade máxima de 150 km/h e a aceleração de 0 a 100 km/h em nove segundos reforçam que este não é um carro para grandes “pressas”.
Além disso, ao selecionar um novo modo de condução é preciso esperar mais de dois segundos para que algo aconteça - muito provavelmente, o sistema mais lento do mercado.
A frenagem é outro ponto que incomoda: o pedal esquerdo tem sensação sempre esponjosa e resposta tardia (no início do curso, quase não gera desaceleração). Não dá para ajustar a intensidade da regeneração além da posição “B” do seletor, e mesmo assim ela não permite que o ë-C4 X seja conduzido com “apenas um pedal”.
Consumos declarados e verificados
Em consumo, a Citroën indica média homologada de 14,9 kWh/100 km e autonomia correspondente de 418 km. No nosso trajeto de teste, porém, registramos 16,7 kWh/100 km e não passamos de 366 km com uma carga completa.
Como sempre, esses números variam conforme o tipo de via e o ritmo adotado. Ainda assim, para este ë-C4 X faz mais sentido pensar em algo entre 350 km e 380 km por carga completa do que acima de 400 km.
Quanto custa?
O novo ë-C4 X 400 fica no topo da gama do sedã e já está à venda, apenas nas versões com pacote de equipamentos mais completo. O preço passa um pouco de 44 mil euros, o que está longe de ser competitivo.
Mesmo podendo ir mais longe e também rodar mais rápido, o preço “gruda” o ë-C4 X em sedãs de um segmento acima - modelos que entregam mais desempenho, mais autonomia e um conteúdo tecnológico superior.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário