Há algumas semanas, na Escócia, um periquito virou o terror de uma pequena cidade no norte do país. A ave já deixou um rastro de prejuízos na casa dos milhares de euros, e os moradores seguem sem saber como lidar com um animal que, pelo visto, decidiu fazer das propriedades alheias o seu alvo.
Inverness, uma cidade tranquila - até o periquito aparecer
Inverness é uma cidade sossegada, com pouco mais de 80 000 habitantes, às margens do rio Ness, bem no coração das Highlands escocesas. Não é exatamente um lugar associado à criminalidade quando comparado a outros centros do país, como Glasgow ou Edimburgo. Por lá, o “inimigo público número um” costuma ser bem menos cinematográfico: nuvens de mosquitinhos minúsculos do verão, que atacam em bando e mordem até tirar sangue de quem sai sem proteção.
Só que, nas últimas semanas, surgiu um incômodo de outro tipo - e muito mais barulhento para o bolso. Um periquito se instalou em um dos bairros e passou a tomar veículos como alvo preferencial. Vedações de borracha arrancadas, limpadores de para-brisa desencaixados, vidros raspados com bicadas… um verdadeiro “troll” alado, que nem mesmo organizações de proteção animal conseguiram capturar.
O flagelo de penas das Highlands
Em entrevista ao veículo STV News (veja o vídeo no YouTube abaixo), Angus Chisholm, morador da região, se diz no limite com a situação - embora fale com o repórter com um autocontrole bem característico do estereótipo britânico. “Meu carro está tão danificado agora que não tenho certeza se ele poderia sofrer mais danos. Então eu o deixo assim até trocar de carro”, relata. Para ele, o animal seria domesticado, mas isso ainda não foi confirmado.
Táticas dos moradores para afastar o periquito
Alguns vizinhos, porém, decidiram apelar para a criatividade - e certas tentativas parecem ter funcionado. Roger Eddie preferiu a dissuasão: colocou duas cobras de plástico sobre o painel do carro. “Ela não danificou nada desde então […]”, garante.
Já um morador da casa ao lado apostou em outra abordagem: óleo de hortelã-pimenta aplicado ao longo das borrachas de vedação das janelas. A ideia é simples: ao que tudo indica, a ave não gosta do sabor.
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Um periquito solitário
Mas por que uma ave vista como pacífica adotaria um comportamento tão estranho? Na prática, periquitos (assim como outras aves da família dos Psittacidae) combinam bicos fortes com um cérebro grande para o tamanho do corpo - uma mistura explosiva quando falta estímulo e sobra tédio.
Quando um indivíduo fica isolado, como parece acontecer neste caso, sem outros da mesma espécie e sem um tutor humano, pode surgir um padrão de comportamento compulsivo e destrutivo. Não porque “gosta” de destruir, mas porque a solidão extrema pode levar esse animal gregário a procurar, de forma desesperada, algum tipo de interação. Para ele, danificar objetos que não reagem vira um jeito de gastar energia e manter as capacidades cognitivas ocupadas.
Prefeitura, NatureScot e seguros: quem assume o problema?
A prefeitura de Inverness preferiu se esquivar e alegou que periquitos em vida livre não entram nas suas atribuições. Já a NatureScot, agência do governo escocês voltada à proteção da natureza, esclareceu um ponto importante: um periquito que escapou não tem o status legal de ave selvagem protegida. Em outras palavras, qualquer morador pode capturá-lo legalmente e ficar com ele.
Quanto às seguradoras, os prejuízos costumam ser cobertos quando entram em garantias como “eventos naturais” ou “atos de vandalismo”. Ainda assim, é difícil não desejar sorte a quem for tentar fazer valer seus direitos com a seguradora: explicar para o atendente que o “vândalo” tem penas e um bico curvo promete render uma conversa inesquecível. Se há alguém que provavelmente não está reclamando dessa história, são as oficinas mecânicas da região.
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