A herdeira do trono sueco vem, discretamente, mergulhando nesta temporada no universo da defesa aérea do país - indo além da teoria de sala de aula para vivenciar uma missão de caça em estilo operacional, ao lado de pilotos em atividade.
Das salas de aula às linhas de voo
Victoria, 48, passou o ano letivo de 2024–2025 reforçando suas credenciais militares por meio de estudos intensivos na Universidade de Defesa da Suécia. Ela ingressou no programa SOFU, uma trilha de formação de oficiais voltada a graduados universitários que já têm carreira civil.
A formação ofereceu uma base organizada sobre tomada de decisão militar, estratégia e cultura de comando. No início, Victoria direcionou o foco para o ramo naval, conquistando seu primeiro posto de oficial e a autorização para usar uniforme em compromissos oficiais.
Atualmente, ela detém a patente de Fänrik, um dos primeiros níveis de oficial comissionado no sistema sueco. Em termos gerais, equivale a um guarda-marinha em diversas marinhas ou a um segundo-tenente em estruturas de exército e força aérea.
A herdeira do trono da Suécia agora avança por um percurso de formação de vários anos que passa pelos três ramos das forças armadas.
Ao concluir o ano com ênfase naval, Victoria deixou claro que buscava uma visão mais ampla da defesa nacional. A Casa Real e as Forças Armadas Suecas acertaram, então, um módulo de continuidade sob medida com a força aérea para o outono - concebido menos como oportunidade de fotos e mais como um briefing operacional aprofundado.
Dentro de uma imersão intensiva na força aérea
O módulo avançado foi conduzido pela Escola de Treinamento de Combate Aéreo e por diversas unidades operacionais. Em um período curto e concentrado, Victoria passou por locais centrais para a sustentação da defesa aérea sueca.
- Regimento de defesa antiaérea em Halmstad
- Escritório experimental de combate aéreo
- Centro de simulação da força aérea
- Ala aérea F 21 Norrbotten, em Luleå, perto do Círculo Polar Ártico
Em Halmstad, ela conheceu sistemas de defesa em camadas que protegem o espaço aéreo sueco, de radares terrestres a baterias de mísseis. No centro de simulação da força aérea, acompanhou como pilotos e controladores treinam cenários complexos sem sair do chão, com software de alta fidelidade que reproduz clima, terreno e táticas inimigas.
O conteúdo foi além do equipamento. A força aérea afirma que o módulo “cobre todo o domínio aéreo e seu ambiente específico”, incluindo poder aéreo e espacial, planejamento operacional, liderança, conceitos de base, doutrina de defesa aérea, estudos de futuro, inovação e desenvolvimento de capacidades.
O objetivo não era transformar Victoria em piloto, mas dar a ela uma compreensão prática de como o poder aéreo é organizado, comandado e empregado em uma crise.
Olhar para trás antes de olhar para cima
A formação trouxe também um fio histórico. Victoria passou um período no Memorial da Força Aérea Sueca, acompanhando a evolução do poder aéreo do país, dos biplanos frágeis às atuais frotas de caças conectadas em rede.
A visita reforçou como a defesa aérea migrou da vigilância territorial da Guerra Fria para missões contemporâneas que também levam em conta ameaças cibernéticas e ativos baseados no espaço. Esse pano de fundo é relevante para uma futura chefe de Estado que pode, um dia, precisar se dirigir ao país durante uma emergência de segurança.
O dia em que a herdeira embarcou em um Jas 39 Gripen
A etapa mais chamativa do programa ocorreu em Norrbotten, quando Victoria se juntou à ala F 21 para um exercício. Antes mesmo de pisar no pátio, ela recebeu instruções sobre como a força aérea planeja e executa surtidas: quem autoriza a missão, quem monta o plano, de que forma se calculam combustível, armamentos e risco, e como os pilotos recebem atualizações em tempo real.
Só depois ela seguiu para a linha de voo para encontrar o esquadrão de caças. Com o equipamento de voo, foi acomodada e presa ao assento traseiro de um Gripen Jas 39, aeronave de combate multimissão sueca fabricada pela Saab e exportada para vários países.
Na missão de treinamento, quatro caças suecos voaram em formação para defender pontes estratégicas em território sueco. No cenário, duas aeronaves “inimigas” tentaram atacar a infraestrutura. Os quatro Gripen atuaram em conjunto para detectar, acompanhar e repelir a ameaça simulada.
Do assento traseiro, Victoria observou quatro pilotos coordenando um combate aéreo simulado para proteger pontes suecas de um ataque inimigo.
Segundo Johan Lörelius, administrador da Escola de Treinamento de Combate Aéreo, a Princesa Herdeira manteve concentração intensa durante toda a surtida e saiu com uma nova percepção sobre a rapidez das decisões no cockpit. Ela teria se impressionado especialmente com a forma como tática, comunicação e tecnologia da aeronave se encaixam sob pressão.
Selfies em altitude, debriefings no solo
Imagens divulgadas pelas Forças Armadas mostram Victoria sorrindo com capacete, máscara de oxigênio e também fazendo uma selfie rápida do assento traseiro quando o ritmo do exercício permitiu. Outras fotos a registram embarcando em um helicóptero militar e se deslocando entre locais ao lado de militares de carreira.
De volta ao solo, ela participou com o 212º esquadrão de caça de um debriefing padrão: o que saiu como planejado, o que mudou no ar e quais escolhas foram mais determinantes. Esse procedimento rotineiro é onde grande parte do aprendizado real acontece para pilotos - e, por um breve período, a herdeira tomou parte nele.
Uma integrante da realeza que treina sem comandar as tropas
Ao contrário de algumas monarquias europeias, a Suécia separa, em assuntos militares, o papel simbólico do papel operacional do chefe de Estado. Desde uma mudança constitucional de 1975, o monarca sueco deixou de ser, legalmente, comandante em chefe. Nos Países Baixos, uma divisão semelhante existe desde meados do século XIX.
Ainda assim, o rei da Suécia permanece como o mais alto representante das forças armadas e detém patentes honorárias: almirante na marinha e general no exército e na força aérea. Sua presença em cerimônias e exercícios continua relevante para moral e visibilidade pública.
Para Victoria, o treinamento militar tem menos a ver com autoridade formal de comando e mais com credibilidade ao falar com tropas, políticos e aliados.
As forças armadas já sinalizaram que a trilha educacional dela seguirá adiante. Após o ano do SOFU com foco naval e o módulo na força aérea, está previsto um período com o exército em 2026. A intenção é formar um quadro coerente da defesa sueca - de operações navais no Báltico a unidades mecanizadas em terra e esquadrões de caça no ar.
Por que herdeiros ao trono estão passando mais tempo de uniforme
A preparação de Victoria reflete uma tendência mais ampla entre herdeiros europeus, da Dinamarca à Espanha, que hoje acumulam muitas horas em academias militares. É improvável que comandem tropas em combate, mas enfrentarão questionamentos sobre orçamento de defesa, compromissos de alianças e serviço militar obrigatório.
A experiência direta ajuda futuros monarcas a entender o que endossam quando se colocam ao lado de líderes políticos durante crises, missões no exterior ou exercícios da OTAN. Também aprofunda a compreensão de como a guerra moderna atinge a vida civil - de interrupções cibernéticas a ataques contra infraestrutura.
| Aspecto | O que Victoria cobriu até agora |
|---|---|
| Marinha | Fundamentos de oficial, liderança, operações marítimas e cerimônias com uniforme naval |
| Força aérea | Sistemas de defesa aérea, poder aéreo e espacial, simulações, missão de caça com o Gripen |
| Exército (planejado) | Operações terrestres, doutrina de combate em terra e cooperação com outros ramos |
Conceitos-chave por trás do treinamento dela
Vários termos usados para descrever os estudos de Victoria soam abstratos à primeira vista. Na prática, têm significados bem concretos para o meio militar sueco.
Poder aéreo e espacial
“Poder aéreo” se refere à capacidade de empregar aeronaves e mísseis para observar, dissuadir ou atacar. Ao acrescentar “espacial”, entram na equação satélites e sensores baseados no espaço. Para a Suécia, isso pode significar monitorar atividades no Extremo Norte, apoiar a navegação civil e garantir links de comunicação durante emergências.
Durante o módulo de outono, Victoria visitou a Swedish Space Corporation, que coopera de perto com a força aérea. Lá, recebeu informações sobre como dados de satélite alimentam a defesa aérea e sobre como a infraestrutura espacial se tornou um ativo estratégico.
Missões simuladas e risco real
A maior parte da formação de Victoria ocorreu em ambientes controlados: salas de aula, simuladores e voos cuidadosamente planejados. Mesmo assim, a gestão de risco é central. Passageiros no assento traseiro de caças passam por exames médicos, treinamentos de assento ejetável e briefings de segurança. Aeronaves seguem regimes rigorosos de manutenção, e condições meteorológicas ou falhas técnicas podem cancelar missões com pouca antecedência.
Centros de simulação existem justamente para reduzir risco sem diminuir a pressão. Eles permitem que operadores treinem situações raras ou perigosas - como ataques aéreos em larga escala ou falhas simultâneas em sistemas de comunicação - sem colocar tripulações ou aeronaves em perigo.
O que futuros líderes ganham com esse tipo de curso
Para uma futura monarca, esse treinamento em camadas oferece benefícios práticos. Ele cria uma linguagem comum com os oficiais que irão assessorá-la nos próximos anos. Também dá substância a funções cerimoniais - como entregar estandartes ou falar a tropas no exterior - com entendimento real do trabalho cotidiano.
O caminho de Victoria também serve de modelo para outras figuras públicas. Ministros civis, altos servidores ou até líderes empresariais que lidam com segurança e infraestrutura podem se beneficiar de módulos curtos e intensivos que combinam aprendizado em sala com vivência de campo. Familiaridade com gestão do espaço aéreo, dependência de satélites ou defesa de pontes críticas pode parecer específica hoje, mas esses temas rapidamente vão para o centro do debate em momentos de crise.
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