A boia da Marinha dedicada à monitorização costeira detectou, de forma contínua, temperaturas acima do esperado para esta época do ano.
Temperatura da superfície do mar no Algarve
Nos últimos dias, a temperatura da superfície do mar no Algarve atingiu 26,1 °C - uma anomalia que vem se tornando mais comum e mais intensa. Os possíveis efeitos desse aquecimento sobre os ecossistemas marinhos em Portugal serão alvo de análise.
Segundo a Marinha Portuguesa, no período entre 15 de junho e ontem, a boia de Faro - integrada à rede nacional de monitorização costeira do Instituto Hidrográfico (MoniZEE) - identificou duas ondas de calor e marcou um pico de 26,1 °C, valor que evidencia a "magnitude do aquecimento observado".
Fatores por trás do aquecimento observado
Para Mário Marques, especialista em mudanças climáticas, episódios de anomalias na temperatura da água do mar em Portugal não são novidade. Ele lembra que, há pouco tempo, foi observado um "aquecimento acima da média, uma anomalia positiva na ordem dos 4 ºC, entre Sines e Troia".
O especialista ressalta que o aumento da temperatura da superfície do mar no Algarve, nesse caso, não resulta diretamente da onda de calor que atingiu o país no começo do mês. Esses eventos, explica, dependem de uma combinação de fatores, como o deslocamento de massas de ar e de correntes oceânicas, em um contexto no qual as mudanças climáticas globais também têm influência. No Algarve, em particular, "os fluxos de sul promovem a subida da temperatura da superfície da água do mar".
Ele acrescenta que tem sido registrado, com frequência crescente, um "maior número de dias com anomalias", inclusive durante o inverno - período em que "as temperaturas não têm baixado tanto como era normal". Na avaliação do especialista, a tendência é que essas anomalias ocorram "com mais frequência, dado o aquecimento do planeta", alerta.
Vigilância ambiental
Para a Marinha Portuguesa, esses dados são "relevante para a vigilância ambiental, para o conhecimento da variabilidade térmica do oceano e o apoio a atividades que dependem das condições do mar".
Francisco Leitão, do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve (CCMAR), disse ao JN que as "consequências para a fauna marinha" desse tipo de ocorrência na costa portuguesa começam, agora, a ser investigadas. Na instituição, estão sendo iniciados diversos estudos para entender de que forma as ondas de calor marinhas vão impactar os peixes e, por efeito, "os pescadores e a sociedade", especificou.
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Duas ondas
A primeira das duas ondas de calor marinhas foi moderada, com um máximo diário de 23,3 °C (1,5 °C acima do limiar para a data). A segunda foi forte, com um máximo diário de 24,8 °C (2,2 °C acima).Duram vários dias
As ondas de calor marinhas correspondem a períodos de pelo menos cinco dias consecutivos em que a temperatura da superfície do mar se mantém acima dos valores habituais para a altura do ano naquela zona.Europa também sofreu
Em outras áreas da Europa, também foram observadas anomalias. No Golfo da Biscaia e no sudoeste da Grã-Bretanha registaram-se mais 3 ºC do que é normal para esta época do ano.Ondas duplicaram
Conforme o Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido, um dos principais centros de pesquisa do mundo nesse tema, desde 1982, o número de ondas de calor marinhas duplicou. Há casos recentes no Atlântico Norte, junto à Antártida, e no Mediterrâneo.
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