Pular para o conteúdo

O novo Mercedes-AMG SL 63 é agora mais «supercarro» que Gran Turismo. É o caminho certo?

Carro esportivo Mercedes-Benz azul metálico modelo SL63 AMG em showroom moderno.

Existem dias quase perfeitos - só um detalhe, que eu conto no vídeo, impediu que fosse 100%. Afinal, quando temos à disposição um Mercedes-AMG SL 63 4Matic+ de última geração (R 232) e a Serra da Arrábida à frente, não tem como não abrir um sorriso.

Para ajudar, no dia em que gravamos este Mercedes-AMG SL 63 o sol resolveu aparecer como não aparecia havia semanas.

Estava tudo alinhado para um dia memorável, embalado pela força do V8 biturbo da Mercedes-AMG, que nesta configuração entrega 585 cv de potência. Ficou tudo registrado em vídeo:

Só boas notícias no interior do novo SL

Por dentro, este Mercedes-AMG SL 63 4Matic+ mostra bem do que a marca alemã é capaz: ótimo acabamento, muita tecnologia e até um nível de praticidade que, em tese, um carro assim nem precisaria ter.

E há uma novidade importante: pela primeira vez desde 1989, o Mercedes-Benz SL volta a oferecer quatro lugares. A nova plataforma da geração R 232 abriu espaço para mais dois assentos. Sim, são apertados - como dá para ver no vídeo em destaque -, mas estão ali e podem fazer diferença em um deslocamento curto. Quando a concorrência tem uma referência chamada Porsche 911, qualquer detalhe pesa.

O pacote tecnológico também está no nível esperado de um modelo que, nesta especificação SL 63 4Matic+, custa cerca de 270 000 euros (unidade testada). A minha única crítica fica para o excesso de botões no volante, que acaba atrapalhando a operação de algumas funções.

Um novo patamar de condução

Como eu comento no vídeo, o novo Mercedes-AMG SL 63 4Matic+ entrega uma experiência ao volante que nenhuma geração anterior deste modelo conseguiu alcançar. A combinação de plataforma nova com eixo traseiro direcional, tração integral e suspensões adaptativas é extremamente eficaz.

Não por acaso, é dessa base que vai nascer a nova geração do AMG GT - e isso aparece na facilidade com que dá para atacar curvas sem dó. Em contrapartida, ele é menos refinado do que o antecessor.

Sem ficar desconfortável, o SL agora é menos “GT” e mais “supercarro” do que nunca. Ficou melhor? Sem dúvida. Mas também ficou perigosamente próximo da experiência de condução de um AMG GT.

Preço das «arábias» e consumo a condizer

Está pensando em comprar um Mercedes-AMG SL 63 4Matic+? Então há boas e más notícias. A boa: o preço base é de 159 000 euros. A ruim: ainda é preciso somar os impostos.

Um carro como o que testamos chega ao valor final de 270 000 euros. Uma parcela grande disso é tributação: 38 500 euros de ISV e 50 000 euros de IVA. É a dura realidade do nosso país.

O melhor remédio é baixar a capota - que voltou a ser de lona, como manda a tradição dos conversíveis de verdade - e simplesmente aproveitar a experiência. Pelo menos enquanto o tanque permitir.

Porque, num ritmo mais esportivo, dá para esperar médias na casa de 24 l/100 km. Foi a única coisa que quebrou a perfeição do dia: o chamado constante dos postos de combustível.

Com uma condução mais comedida, sem deixar de lado alguns “excessos”, contem com médias finais de 19 l/100 km. É muito, sem dúvida. Mas combina com a performance entregue por esse V8 soberbo.

E ouvir o escape desse motor vale cada centavo queimado na câmara de combustão - um custo que, na prática, quem cogita comprar este modelo provavelmente já está disposto a assumir.

Não é para todos

Este Mercedes-AMG SL 63 4Matic+ não é um carro para qualquer um. E não é só pela questão óbvia do preço - o buraco é mais embaixo.

Num mundo em que até um Kia EV6 GT consegue entregar a mesma potência - exatamente 585 cv de potência -, é preciso realmente gostar da experiência de conduzir um carro a combustão para justificar gastar mais de 250 000 euros.

Tem que gostar do som, tem que gostar de explorar o conta-giros, tem que entender o quão belo é o trabalho de engenharia por trás de um V8 com este nível de desempenho. Este Mercedes-AMG SL é um presente para quem enxerga isso.

Guiá-lo na Serra da Arrábida me lembrou por que nos apaixonamos por décadas por essa arquitetura. Foi difícil devolvê-lo nas instalações da marca alemã em Portugal. Talvez um dia a gente se encontre de novo…

Veredito

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário