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Fim da coprodução do KF-21 Boramae entre Indonésia e Coreia do Sul
Em mais um capítulo das idas e vindas na cooperação bilateral, a Indonésia decidiu encerrar de forma definitiva os planos de coprodução do novo caça KF-21 Boramae com a Coreia do Sul. Com isso, a atuação indonésia no programa tende a ficar restrita a uma eventual compra de aeronaves de série fabricadas pela KAI, sem que ocorra a transferência de tecnologia que era esperada no acordo original.
A medida encerra anos de negociações marcadas por entraves e sucessivos impasses, em andamento pelo menos desde 2015, sobretudo devido às dificuldades de Jacarta para cumprir os pagamentos acordados com Seul.
Pagamentos, prazos e a redução da transferência de tecnologia
A mudança de rumo já foi confirmada pelo chefe da Agência de Logística de Defesa, Yusuf Jauhan, que, ao ser questionado por veículos de imprensa, indicou que os planos originais de coprodução não seriam mais levados adiante.
Pelo desenho inicial do acordo, para que a empresa PT Dirgantara Indonesia chegasse a fabricar até 48 aeronaves em sua unidade de Bandung, o país arquipélago assumiu o compromisso de bancar até 20% dos custos ligados ao desenvolvimento do KF-21 Boramae. Esse montante alcançava 1,6 trilhão de won, com pagamentos previstos em diferentes etapas até o ano atualmente em curso - o que, ao final, não se concretizou.
Dentro desse contexto, em 2024 a Indonésia tentou ampliar sua margem de manobra ao pedir uma prorrogação que estenderia os prazos até meados da próxima década, muito além do objetivo inicialmente estabelecido. A Coreia do Sul recusou praticamente de imediato, avaliando que a extensão inviabilizaria a continuidade dos trabalhos conforme planejado, diante da ausência dos recursos prometidos. Por esse motivo, decidiu-se reduzir o aporte para 600 milhões de won, em troca de uma diminuição na transferência de tecnologia que havia sido acertada.
Atrasos e investigação por suspeita de vazamento de informações
Além do aspecto financeiro, o programa também sofreu atrasos após a KAI considerar que engenheiros indonésios que atuaram em instalações da empresa teriam realizado o roubo de informações classificadas relacionadas ao KF-21 Boramae. O episódio levou a uma investigação longa e controversa conduzida pelas autoridades sul-coreanas.
Próximos passos: protótipo e possíveis alternativas ao KF-21 Boramae
Ainda assim, analistas da imprensa especializada apontam que a Indonésia teria efetivamente pago os 600 milhões de won vinculados ao programa, o que lhe permitiria receber um protótipo e também abrir caminho para, no futuro, adquirir aeronaves de produção sul-coreana - porém sem a participação esperada da PT Dirgantara.
No entanto, como até agora não há um plano oficial de aquisição, especula-se que esse cenário aumente as chances de o país optar por plataformas alternativas ao KF-21 Boramae. Essa possibilidade já foi mencionada por fontes familiarizadas com o assunto à mídia local, indicando que se trata de um caminho com maior probabilidade de ser seguido.
Em especial, dois modelos aparecem como potenciais substitutos do caça desenvolvido pela KAI: o TAI KAAN de quinta geração, em desenvolvimento na Turquia, ou um lote adicional de 24 caças Rafale que se somaria às 42 unidades já adquiridas da fabricante francesa Dassault. No primeiro caso, é importante destacar que Jacarta já confirmou a intenção de comprá-los em julho do ano passado; além disso, no último mês de abril, obteve um empréstimo de mais de 10.000 milhões de dólares para viabilizar a compra de 48 unidades, com a meta de recebê-las no começo da próxima década.
Imagens usadas apenas para fins ilustrativos
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