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Venezuela após os terremotos de 24 de junho: World Vision alerta para “emergência dentro de outra emergência”

Homem de colete refletivo ajudando menina com mochila em escola ao ar livre ao entardecer.

Em 24 de junho, a Venezuela mergulhou em um cenário de destruição e luto. Dois terremotos de grande magnitude deixaram quase quatro mil mortos confirmados, milhares de pessoas desaparecidas e muitas outras ainda em recuperação por causa dos ferimentos. Quando a poeira baixou, instalou-se uma “emergência dentro de outra emergência”, alertou a World Vision, em Caracas.

World Vision na Venezuela: crise prolongada após os terremotos

“Isso é muito difícil para o povo da Venezuela. Eles perderam tudo - escolas, os meios de sustentar suas famílias, tudo. Tenho muito orgulho do trabalho da nossa organização. Esta não é uma emergência que vai terminar nos próximos dias, mas sim uma situação que veremos se desenrolar ao longo do tempo”, afirmou Claudia González, responsável de relações internacionais da World Vision, citada pela Europa Press.

Segundo González, a gravidade do quadro é tamanha que exige apoio internacional para que o país sul-americano consiga se reerguer. Ela também destacou o papel decisivo da diáspora no suporte às organizações não governamentais que atuam em campo e que têm conseguido, entre outras ações, ajudar “as mais de 700 mil crianças que foram afetadas” pela tragédia.

Crianças afetadas pelos sismos e ações de proteção

“Acreditamos que as crianças são as mais afetadas por esses sismos e estamos nos encarregando das que sobreviveram. Estamos cuidando delas, oferecendo abrigo e garantindo que tenham a vida e o respeito que merecem. Esperamos que, nos próximos dias, possamos desenvolver novos projetos que lhes permitam seguir em frente, porque a vida continua apesar do que aconteceu, a vida empurra-nos”, apontou, durante uma coletiva de imprensa em Caracas.

Doações e regresso à escola

À medida que as doações de alimentos chegam às áreas atingidas pelos terremotos, a organização informa que, nas últimas duas semanas, ajudou a montar cozinhas comunitárias, fornos e geladeiras.

Na região de La Guaira, as aulas seguem suspensas. “Estamos dispostos a trabalhar com as autoridades para compreender qual é o plano a seguir”, declarou Peter Gape, diretor-geral da Worl Vision. “É possível que, de fato, ativemos uma iniciativa de emergência educativa juntamente com as outras organizações parceiras para garantir que as crianças que não possam regressar à escola nos próximos meses recebam a atenção de que necessitam no próximo ano letivo”, acrescentou.

A diretora executiva da organização no Reino Unido, Fola Komolafe, ressaltou, por sua vez, que “não se pode saber exatamente qual é a dimensão de tudo o que foi vivido após os sismos: “Vivemos momentos muito difíceis”. “Também perdemos pessoas das nossas equipas”, expressou. “Ontem vi em grande medida a resiliência das pessoas, mas também o impacto do nosso trabalho no terreno”, disse, antes de destacar “a generosidade das famílias, que entregaram alimentos e bens de primeira necessidade”.

O balanço mais recente dos terremotos aponta 3899 mortos e 16740 feridos. Entre as vítimas fatais, há pelo menos 104 portugueses e luso-descendentes, e outros 57 seguem desaparecidos ou sem contato.

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